
Com 1,31 milhão de negativados e R$ 11,16 bilhões em débitos acumulados, Mato Grosso do Sul registra média diária de 313 novos nomes com restrição de crédito em 2026.
Mais de 60% da população de Mato Grosso do Sul possui restrições no nome, posicionando o Estado na quarta colocação entre as unidades federativas com a maior proporção de consumidores inadimplentes do País. Segundo dados exclusivos da Serasa referentes ao mês de julho, o número de devedores no Estado alcançou 1.313.053 pessoas, que acumulam 6,2 milhões de dívidas ativas somando R$ 11,16 bilhões em débitos.
Com taxa de inadimplência em 60,29%, Mato Grosso do Sul fica atrás apenas do Amapá (64,86%), Distrito Federal (63,02%) e Amazonas (60,77%).
O avanço do endividamento acumulou alta de 3,7% nos primeiros sete meses do ano, pulando de 1.266.599 negativados em janeiro para 1.313.053 em julho — uma média de 313 novas inclusões no cadastro de restrição ao crédito por dia útil (148 dias úteis no período). Na comparação anual com julho do ano anterior (1.201.898 inadimplentes), o avanço foi de 9,2%, somando 111.155 novos devedores em 12 meses. A média por inadimplente no Estado atingiu R$ 8.500,27, com o valor médio por dívida individual fixado em R$ 1.799,44.
Crédito para sobrevivência e peso do cartão
De acordo com o mestre em Economia Eugênio Pavão, a perda do poder de compra e a inflação dos serviços essenciais forçaram o uso do crédito para a manutenção de despesas básicas do orçamento doméstico:
“Estamos diante de um endividamento estrutural, que não é mais apenas fruto de consumo, mas de sobrevivência.”
Setores que concentram as dívidas em MS:
- Bancos e cartões de crédito: 28,26%
- Financeiras: 18,24%
- Utilities (água, luz, gás): 17,58%
- Serviços: 14,04%
- Varejo: 9,39%
A gerente de Crédito da Serasa, Camila Martins, pondera que o cartão passou a substituir a renda principal: “Esse comportamento indica que, para muitos brasileiros, o cartão deixou de ser apenas uma alternativa para compras parceladas e passou a integrar o planejamento financeiro cotidiano.”
Reorganização financeira e alcance nos municípios
Embora programas de negociação como o Desenrola e mutirões de feirões continuem com adesão elevada, especialistas do setor apontam que as famílias enfrentam dificuldades estruturais para sair do vermelho. Pesquisa realizada pela Serasa com o Instituto Opinion Box revela que 50% dos entrevistados gastaram acima do orçamento no primeiro semestre. Contudo, 49% elegem a quitação de dívidas e 32% a limpeza do nome como prioridades absolutas para a segunda metade do ano.
Campo Grande lidera o ranking municipal em volume e valores devidos:
| Município | Consumidores Inadimplentes | Volume Total de Dívidas | Ticket Médio por Devedor |
| Campo Grande | 500.375 | R$ 4,96 bilhões | R$ 9.917,56 |
| Dourados | 108.839 | R$ 983,8 milhões | R$ 9.038,98 |
| Três Lagoas | 59.426 | R$ 480,7 milhões | R$ 8.089,00 |
| Corumbá | 49.364 | R$ 366,9 milhões | R$ 7.432,54 |
| Ponta Porã | 40.285 | R$ 307,3 milhões | R$ 7.628,15 |
Com informações de Correio do Estado.

