
Mato Grosso do Sul exportou 9,19 milhões de toneladas de minério de ferro e manganês em 2025, volume mais de três vezes superior ao registrado em 2006, quando os embarques somavam 2,89 milhões de toneladas. No mesmo intervalo de 19 anos, a receita gerada com essas exportações saltou de US$ 98,5 milhões para US$ 436,5 milhões — um avanço de 343%.
Os dados constam em levantamento do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), que também aponta um salto no valor bruto da produção mineral estadual: de R$ 311,1 milhões em 2006 para R$ 2,44 bilhões em 2025.
Crescimento ancorado no volume de embarques
A expansão financeira do setor esteve fundamentada na escala física das operações, e não na valorização do produto:
- Evolução de preços: Em 2006, cada tonelada exportada rendeu, em média, US$ 34,08. Em 2025, o valor médio alcançou US$ 47,50 (alta de 39% em valores correntes).
- Escala de extração: O volume físico embarcado cresceu 218% no período, evidenciando que o incremento de receita decorreu da ampliação direta do volume retirado e transportado.
- Polo de extração: A quase totalidade das jazidas em atividade concentra-se no município de Corumbá, no Maciço do Urucum.
O economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, destacou a representatividade da cadeia para a economia estadual:
“Muitas vezes as pessoas se esquecem, mas Mato Grosso do Sul também é um estado minerador. Temos um segmento extrativo mineral forte e consolidado, especialmente com minério de ferro e manganês.”
Mercado interno e a cadeia do ferro-gusa
Com uma produção anual que já supera 10 milhões de toneladas, cerca de 800 mil toneladas permanecem no mercado doméstico. Essa parcela atende a siderúrgicas e usinas que transformam o minério em ferro-gusa — matéria-prima intermediária para a fabricação de aço.
O ferro-gusa figura como um dos três principais pilares da balança de exportação de Mato Grosso do Sul para o mercado dos Estados Unidos, compondo a pauta ao lado da carne bovina e da celulose.
Emprego formal e logística de escoamento
O número de postos de trabalho formais no setor mineral saltou de 942 vagas em 2006 para 2.825 em 2026 (alta de 200%). A relação entre postos de trabalho e volume embarcado passou de 3.068 para 3.253 toneladas por trabalhador/ano, avanço moderado de 6%, demonstrando que o crescimento da produção se deu acompanhado por contratações na mesma proporção.
O escoamento das cargas do Maciço do Urucum depende centralmente da Hidrovia Paraguai-Paraná, colocando os complexos portuários de Corumbá e Porto Murtinho no centro dos debates sobre dragagem, sinalização e dragas de manutenção do calado de navegação fluvial.
Panorama do setor mineral em MS
| Indicador | 2006 | 2025 / 2026 | Variação |
| Volume exportado | 2,89 milhões t | 9,19 milhões t | +218% |
| Receita gerada | US$ 98,5 milhões | US$ 436,5 milhões | +343% |
| Preço médio (por tonelada) | US$ 34,08 | US$ 47,50 | +39% |
| Produção anual total | — | Acima de 10 milhões t | — |
| Valor bruto de produção | R$ 311,1 milhões | R$ 2,44 bilhões | +684% |
| Emprego formal (postos) | 942 | 2.825 (em 2026) | +200% |
Com informações de Observatório da Indústria da Fiems

