14 de outubro de 2026
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Vorcaro bancou hotel de luxo para então cunhado de Gilmar Mendes antes de julgamento no STF

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Documentos e registros de áudios atribuídos ao acervo pessoal do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, apontam que o empresário custeou três diárias de luxo para o ex-senador Francisco Feitosa (Chiquinho Feitosa) no hotel Rosewood, em São Paulo, em maio de 2024. O episódio ocorreu apenas dois dias antes do início de uma deliberação no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutia regras regulatórias para a abertura de novos cursos de medicina no país — tema de direto interesse econômico de investimentos ligados ao Master.

À época da reserva, Chiquinho Feitosa era cunhado do decano do STF, ministro Gilmar Mendes (irmão de Guiomar Feitosa, ex-esposa do magistrado). As mensagens revelam uma triangulação envolvendo o advogado Ciro Soares para antecipar a entrada do ex-senador no hotel, cujo valor de tabela da suíte reservada atinge R$ 31.552 por diária.

A dinâmica dos diálogos e a comemoração pós-julgamento

De acordo com o material revelado:

  1. Ajuste da hospedagem (22 de maio de 2024): O advogado Ciro Soares enviou mensagem de áudio a Vorcaro repassando um pedido de Feitosa para antecipar o check-in; Vorcaro enviou o comprovante da reserva diretamente ao ex-senador, que agradeceu pelo benefício;
  2. Início do julgamento (24 de maio de 2024): O plenário virtual do STF iniciou a análise de ações de controle de constitucionalidade sobre os requisitos e chamamentos públicos do Ministério da Educação (MEC) para faculdades de medicina;
  3. Mensagem comemorativa: Concluída a rodada de deliberações, o advogado enviou mensagem ao banqueiro celebrando o desfecho processual e apontando que o tema envolvendo os cursos médicos sob análise do ministro Gilmar Mendes havia sido finalizado.

A proximidade temporal chamou atenção pelo interesse de grupos empresariais aportados por fundos do Master em liminares e credenciamentos de graduações médicas.

Posicionamentos e manifestação oficial do gabinete de Gilmar Mendes

Tanto o ministro quanto os citados refutaram veementemente qualquer hipótese de favorecimento ou negociação espúria:

  • Chiquinho Feitosa: Confirmou ter recebido o voucher para a estada no Rosewood, mas declarou que a viagem tinha como objetivo exclusivo sua participação em um leilão beneficente em prol do Hospital do Amor. Negou ter tratado de qualquer causa judicial ou interesse de Vorcaro com seu então cunhado;
  • Gabinete de Gilmar Mendes: Afirmou que o ministro jamais tratou de matérias jurisdicionais com Vorcaro ou com os outros interlocutores citados, destacando que diálogos mantidos exclusivamente entre terceiros não podem ser atribuídos ao magistrado.

Em nota oficial com o histórico de seus votos na matéria, o ministro frisou que suas decisões foram sistematicamente alinhadas à Advocacia-Geral da União (AGU) e ao Ministério da Educação (MEC), barrando tentativas de instituições privadas de furar o chamamento público obrigatório:

  • ADC 81 e ADI 7.187 (concluídas em 04/06/2024): Votou com o governo federal para manter a exigência do chamamento público da Lei dos Mais Médicos, derrotando as faculdades que pleiteavam aberturas por via de liminares precárias;
  • Reclamação 66.439 (outubro/2024): Votou favorável ao MEC/AGU contra a abertura desregulada de curso em Sorocaba (SP);
  • Reclamação 74.992 (outubro/2025): Votou a favor do governo contra liminares da AELBRA/Ulbra e requereu destaque para retirar o processo do plenário virtual;
  • Reclamação 81.726 (agosto/2026): Votou a favor do governo contra faculdade de Vilhena (RO), restando vencido diante da maioria formada pelos ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux.

Resumo do episódio

ItemDetalhes Apurados
Beneficiário da hospedagemFrancisco (Chiquinho) Feitosa (ex-senador)
Responsável pelo custeioDaniel Vorcaro (controlador do Banco Master)
Local e períodoHotel Rosewood (São Paulo), três diárias em maio de 2024
Custo de tabelaR$ 31.552 a diária
IntermediárioAdvogado Ciro Soares
Contexto processualJulgamento no STF sobre chamamento público para faculdades de medicina
Grau de parentesco à épocaFeitosa era cunhado de Gilmar Mendes (irmão de Guiomar Feitosa)
Votos de Gilmar MendesAlinhados à AGU/MEC e contrários à liberação indiscriminada de cursos médicos

A existência dos pagamentos e das trocas de mensagens entre os empresários não comprova interferência direta no julgamento, e as votações oficiais do ministro mostram posicionamentos contrários às pretensões de faculdades que tentavam abrir turmas sem crivo do MEC.

Com informações de registros processuais do Supremo Tribunal Federal (STF)

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