
A proposta de emenda à Constituição que reestrutura a jornada de trabalho e visa pôr fim à escala 6×1 no país entra em fase decisiva de deliberação no Plenário do Senado Federal. A PEC 221/2019 tem sua primeira rodada de votação pautada para esta quarta-feira (14 de outubro), após a conclusão das duas últimas sessões de discussão preliminar agendadas para terça-feira (13) e quarta-feira.
O texto fixa o limite máximo da jornada de trabalho em 40 horas semanais sem qualquer redução salarial, extinguindo a exigência de seis dias consecutivos de trabalho por apenas um de descanso. Como a matéria já obteve aprovação na Câmara dos Deputados, caso os senadores mantenham integralmente a redação original nos dois turnos, a emenda será promulgada de forma direta pelo Congresso Nacional ainda no mês de outubro, sem necessidade de sanção presidencial ou nova análise pelos deputados.
Rito de tramitação e exigências constitucionais
Para aprovar uma mudança no texto constitucional, o regimento impõe critérios rigorosos de quórum e debates em plenário:
- Quórum qualificado: São necessários ao menos 49 votos favoráveis (três quintos da composição de 81 senadores) tanto no primeiro quanto no segundo turno;
- Sessões de discussão no 1º turno: A regra exige cinco sessões deliberativas de debate antes da votação inicial. Três delas já ocorreram entre 6 e 8 de outubro, restando apenas os debates regimentais desta terça (13) e quarta (14);
- Interstício para o 2º turno: Se aprovada na quarta-feira (14), a proposta passará por mais três sessões de discussão em plenário antes da votação final em segundo turno;
- Risco de modificação: Se os senadores aprovarem emendas de mérito que alterem o conteúdo vindo da Câmara, o texto terá de retornar à análise dos deputados federais, adiando a promulgação definitiva.
Impacto nas relações de trabalho
O núcleo central da emenda altera o artigo 7º da Constituição Federal, incidindo diretamente sobre categorias do comércio, serviços e indústria intensiva em mão de obra:
- Teto semanal: Redução da jornada máxima padrão de 44 horas para 40 horas semanais;
- Proteção à remuneração: Garantia constitucional expressa contra qualquer corte ou desconto proporcional no salário dos trabalhadores;
- Extinção da escala 6×1: O ajuste horário força a readequação dos regimes de escala, fomentando modelos como o 5×2 ou jornadas concentradas sem perda do descanso semanal remunerado (DSR).
Raio-x da PEC 221/2019 no Senado Federal
| Parâmetro | Detalhamento Regimental |
| Proposição | Proposta de Emenda à Constituição nº 221/2019 |
| Objeto Principal | Limite de 40 horas semanais e fim da escala 6×1 |
| Garantia Remuneratória | Vedada redução salarial |
| Origem / Status | Aprovada na Câmara; em debate no Plenário do Senado |
| Votação em 1º Turno | Quarta-feira, 14 de outubro de 2026 |
| Quórum Necessário | Mínimo de 49 votos favoráveis (3/5 dos 81 senadores) em cada turno |
| Sessões Pendentes | 2 sessões antes do 1º turno; 3 sessões adicionais antes do 2º turno |
| Efeito de Alteração | Retorno obrigatório à Câmara dos Deputados caso haja mudança de mérito |
| Efeito de Aprovação Integral | Promulgação direta pelo Congresso Nacional |
Como o projeto ainda cumpre seu ciclo de deliberações legislativas, as regras vigentes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) continuam plenamente em vigor até a eventual conclusão e promulgação da emenda.
Com informações da Agência Senado

