9 de julho de 2026
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Gaeco deflagra Operação Gutenberg contra esquema de corrupção, fraudes e lavagem de R$ 27 milhões

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O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a Operação Gutenberg. A ação visa desarticular uma organização criminosa investigada por fraudes em compras públicas, corrupção e lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 27 milhões. Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão.

Os mandados estão sendo cumpridos em municípios de Mato Grosso do Sul (Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho), além de endereços em São Paulo (SP) e Abadiânia (GO). Um dos alvos centrais da operação é o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido publicamente como Junior Vasconcelos.

O Esquema: Livros Paradidáticos e Fraude em Licitações

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a organização criminosa era liderada por empresários que atuavam como articuladores do esquema, divididos em núcleos estruturados. O grupo cooptava servidores públicos para fraudar e direcionar procedimentos de compras governamentais.

O foco principal do esquema consistia na contratação direta de empresas do grupo, por meio de inexigibilidade de licitação, para a aquisição de livros paradidáticos. Segundo a investigação, os contratos fraudulentos vigentes somam mais de R$ 27 milhões em recursos públicos. Os valores eram distribuídos entre os integrantes do grupo, servidores corrompidos e empresas de fachada para ocultar e dissimular a origem ilícita do montante.

Interferência na Fila da Saúde Pública

A investigação do Gaeco revelou uma ramificação ainda mais grave do grupo, que estendia sua atuação para a área da saúde pública. Servidores cooptados eram utilizados para condicionar e agilizar a liberação de exames, cirurgias e até mesmo vagas de leitos em hospitais da rede pública estadual à compra dos livros didáticos comercializados pela organização.

Conforme o Ministério Público, a apuração indica que os serviços essenciais de saúde foram submetidos à lógica de favorecimento e aos interesses financeiros do grupo investigado, que permanecia com contratos ativos em vários municípios até o momento da operação.

Apoio Tático e Nome da Operação

A Operação Gutenberg conta com o apoio estratégico do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul.

Segundo o Ministério Público, o nome da operação é uma referência direta a Johannes Gutenberg, o inventor da prensa móvel que popularizou a impressão de livros. No contexto investigativo, a escolha remete ao fato de que os livros paradidáticos foram utilizados pela organização criminosa como instrumento para dar aparência de legalidade ao desvio de verbas públicas.

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