
O monitoramento ambiental no Cerrado de Mato Grosso do Sul ganhou um importante reforço tecnológico. Uma nova torre de observação equipada com câmeras de alta resolução e algoritmos de Inteligência Artificial começou a operar no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, localizado na região sudoeste do estado. A estrutura foi projetada para identificar sinais iniciais de fumaça quase em tempo real, otimizando o acionamento dos brigadistas contra incêndios florestais.
O novo equipamento diferencia-se dos modelos tradicionais baseados exclusivamente em imagens de satélite, que costumam registrar atrasos na transmissão de dados. Instalado em um ponto estratégico, o sistema envia notificações imediatas às equipes de campo assim que detecta focos de fumaça, cobrindo cerca de 90% da unidade de conservação, que possui aproximadamente 76 mil hectares.
Tecnologia aliada à resposta comunitária
A instalação da torre integra as ações do projeto de Manejo Integrado do Fogo (MIF) no Parque Nacional da Serra da Bodoquena e seu entorno. A iniciativa é coordenada localmente pela Fundação Neotrópica do Brasil, organização que apoia a gestão da reserva.
De acordo com Guilherme Dalponti, consultor ambiental da fundação, o sistema está na fase final de testes para consolidar a comunicação definitiva com a sala de situação do parque. Além do aparato tecnológico, o plano de manejo ambiental contempla uma abordagem social e educativa, que inclui:
- Formação e estruturação de brigadas comunitárias locais;
- Capacitação técnica para o manuseio dos novos equipamentos;
- Ações contínuas de educação ambiental junto aos moradores da região.
Financiamento e o Programa Copaíbas
O investimento faz parte das frentes de atuação do Programa Copaíbas, uma iniciativa voltada à conservação e redução do desmatamento nos biomas Amazônia e Cerrado, que também apoia o fortalecimento de populações tradicionais e terras indígenas. O programa é gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e financiado pela Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas (NICFI).
Segundo a gerente do programa, Paula Ceotto, os aportes na preservação das unidades de conservação têm sido contínuos. Desde 2022, o Copaíbas atua na compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e insumos de combate a incêndios. Além disso, uma chamada de projetos focada em estratégias de Manejo Integrado do Fogo destinou R$ 5 milhões para ações de preservação dentro de Unidades de Conservação e em suas respectivas zonas de amortecimento.

