16 de setembro de 2026
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Governo lança ‘Tela Brasil’, plataforma pública e gratuita de streaming do cinema nacional

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O governo federal lançou oficialmente, neste sábado (30), na Cidade das Artes, zona Oeste do Rio de Janeiro, a Tela Brasil — uma plataforma de streaming pública e totalmente gratuita dedicada ao audiovisual brasileiro. Coordenada pelo Ministério da Cultura (MinC) e desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a iniciativa visa democratizar o acesso à cultura nacional e expandir a distribuição das produções do país.

O acesso ao catálogo é integrado ao sistema de login único do governo federal, o Gov.br. Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o projeto como uma ferramenta de soberania cultural.

“A Tela Brasil vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim? O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura”, declarou o presidente.

Lula também criticou o excesso de conteúdos estrangeiros de baixa qualidade que ocupam as telas do país, argumentando que os “enlatados” barram o acesso da juventude à plenitude da identidade brasileira. O presidente aproveitou o evento para anunciar que, a partir de agora, o acesso à leitura fará parte das diretrizes habitacionais do governo: todos os novos conjuntos habitacionais entregues pela gestão federal contarão com uma biblioteca própria.

Investimento e acessibilidade como pilares

O desenvolvimento da Tela Brasil recebeu um investimento de R$ 9 milhões entre os anos de 2024 e 2025. O montante foi direcionado para o licenciamento das produções, criação de tecnologia própria e desenvolvimento de mecanismos completos de acessibilidade.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, apontou que a plataforma resolve um antigo gargalo logístico do setor: a distribuição.

“Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?”, ponderou a ministra, destacando que o acervo inicial foi planejado para resgatar o protagonismo de povos originários, africanos e europeus que construíram a história nacional.

Um dos diferenciais da plataforma é o compromisso com a inclusão. Todos os títulos selecionados via edital público contam com três recursos simultâneos de acessibilidade: audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Catálogo de estreia e clássicos do Oscar

A Tela Brasil inicia suas operações com um acervo de 555 obras audiovisuais brasileiras, cobrindo desde relíquias históricas datadas de 1910 até produções contemporâneas finalizadas em 2025. O catálogo é composto por conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e acervos resguardados pela Cinemateca Brasileira, Funarte, Centro Técnico Audiovisual (CTAv) e Fundação Cultural Palmares.

A estrutura do catálogo de estreia está dividida em quatro formatos principais:

ACERVO INAUGURAL (555 OBRAS):
│
├── Curtas-metragens ────────────────────────────────────── 267 títulos
├── Longas-metragens ────────────────────────────────────── 139 títulos
├── Médias-metragens / Telefilmes ───────────────────────── 85 títulos
└── Obras seriadas ──────────────────────────────────────── 64 títulos

Entre os destaques do catálogo estão grandes clássicos do cinema nacional, como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Xica da Silva (1976), A Hora da Estrela (1985), Central do Brasil (1998), Cidade de Deus (2002), Carandiru (2003) e Olga (2004). Ao todo, a plataforma disponibiliza 19 títulos que já representaram o Brasil na disputa pelo Oscar.

As produções estão organizadas por categorias temáticas como “Artes”, “Brasilidade”, “Infância e Juventude”, além de recortes de diversidade como a mostra “Africanidades”, focada em narrar trajetórias e memórias da população negra sob a perspectiva da ancestralidade.

Como utilizar a plataforma

Para navegar pela Tela Brasil, o cidadão pode optar por duas modalidades de perfis:

  • Perfil Cidadão: Acesso individual, livre e gratuito para assistir a filmes, séries e documentários organizados por gênero, permitindo também a criação de listas de favoritos.
  • Perfil Direcionado: Criado especificamente para exibições coletivas, pedagógicas e sem fins comerciais. É voltado para o uso em salas de aula, cineclubes, pontos de cultura, museus e bibliotecas.

Nesta fase de lançamento, o streaming funciona diretamente pelo navegador de computadores, com suporte para transmissão para Smart TVs. O Ministério da Cultura confirmou que os aplicativos dedicados para celulares (sistemas Android e iOS) serão lançados oficialmente no prazo de 30 dias.

Durante o evento na Cidade das Artes, o MinC também firmou um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a TV Brasil (EBC) para ampliar a circulação de conteúdos e integrar as políticas públicas do audiovisual do país.

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