16 de setembro de 2026
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UFGD e Governo de MS criam Hub de Inovação para levar IA e biotecnologia à agricultura familiar

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Em uma sala cercada por lavouras no Assentamento Nova Itamarati, na fronteira com o Paraguai, jovens filhos de agricultores familiares debatem o uso de inteligência artificial, bioinsumos e o futuro da produção de alimentos. O cenário, que remete a um laboratório de tecnologia comunitária, sedia o Hub de Educação e Inovação Rural, um projeto da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) em parceria com o Governo do Estado, por meio da Semadesc.

A iniciativa marca uma nova fase no agronegócio sul-mato-grossense: a descentralização da alta tecnologia, que deixa de ser exclusividade dos grandes latifúndios mecanizados e passa a ser aplicada diretamente na realidade da agricultura familiar e dos assentamentos de reforma agrária.

Tecnologia Sob Medida para a Realidade Local

Coordenado pela médica veterinária e pesquisadora Juliana Carrijo, o Hub foi estruturado a partir do diagnóstico das demandas reais dos próprios assentados. A equipe, que reúne cerca de 60 colaboradores entre professores, técnicos e estudantes de graduação e pós-graduação, atua na interface entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais da comunidade.

O projeto cumpre duas funções estratégicas no campo:

  • Vitrine Tecnológica: Funciona como um polo de difusão de agricultura de precisão, uso de drones com inteligência artificial e manejo sustentável adaptado ao pequeno produtor.
  • Sucessão Familiar no Campo: Combate o êxodo rural ao capacitar tecnologicamente os jovens da comunidade, criando novas perspectivas econômicas e profissionais sem a necessidade de migração para os grandes centros urbanos.

Biotecnologia Deve Movimentar R$ 25 Bilhões em MS até 2030

A experiência desenvolvida no Nova Itamarati acompanha um movimento macroeconômico de diversificação da matriz produtiva de Mato Grosso do Sul. O foco do Estado se voltou para o fomento à ciência aplicada e à biotecnologia, setor que abrange desde o desenvolvimento de vacinas para o rebanho bovino e bioinsumos agrícolas até o combate ao greening (praga que ameaça a citricultura regional).

As projeções econômicas apontam que o mercado de biotecnologia deve movimentar R$ 25 bilhões no Estado até 2030. Para acelerar essa transição, o ecossistema de inovação vem incentivando o surgimento de Deep Techs — startups de base científica criadas a partir de teses e pesquisas nascidas dentro das universidades públicas e centros de desenvolvimento locais.

“A estratégia consiste em aproximar a academia do setor produtivo, criando um ambiente favorável para que pesquisadores e estudantes transformem suas descobertas científicas em produtos, empresas e novos negócios com potencial de exportação”, destaca Ricardo Senna, secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc.

Com o financiamento obtido por meio de editais públicos de pesquisa e extensão, a expectativa é que soluções tecnológicas geradas em solo sul-mato-grossense passem a abastecer o mercado nacional e internacional de bioeconomia nos próximos anos.

Com informações da UFGD e da Semadesc.

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