
Em um movimento estratégico para consolidar a sustentabilidade como motor de desenvolvimento econômico, o Governo de Mato Grosso do Sul e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) lideraram, nesta quinta-feira (29), o 1º Seminário “Construindo a Sustentabilidade na Gestão Pública”. O evento reuniu prefeitos, vereadores e lideranças institucionais no plenário da Corte de Contas para debater governança ambiental, transição energética e adaptação climática.
O ponto alto do encontro foi a assinatura do “Pacto pela Sustentabilidade e pela Resiliência Climática dos Municípios de MS”. A iniciativa une o TCE-MS, o Governo do Estado, o Ministério Público Estadual, a AGEMS, a Assomasul e a UCVMS em uma força-tarefa para capacitar os municípios e implantar critérios ecológicos e de prevenção a desastres nas administrações locais.
O “Milagre Verde” sul-mato-grossense
Durante sua fala, o governador Eduardo Riedel destacou que o estado deixou de encarar a pauta ambiental de forma “romântica” e a transformou em um ativo financeiro altamente competitivo no mercado internacional. Riedel apresentou dados expressivos sobre a transformação do uso do solo na última década:
- Recuperação de Pastagens: Cerca de 5 milhões de hectares de terras degradadas foram convertidos em atividades de alta absorção de carbono.
- Expansão Florestal: As florestas plantadas saltaram de 300 mil para 2 milhões de hectares, atuando como “usinas de retenção de carbono” integradas à indústria de celulose.
- Matriz Energética Limpa: Atualmente, 94% da energia gerada no estado vem de fontes renováveis (biomassa, solar ou eólica). MS ocupa a vice-liderança nacional na produção de bioenergia, com 2.450 megawatts de potência.
“Nós vamos chegar a 2030 como o primeiro estado carbono neutro do Brasil. Isso é um ativo ambiental e econômico, porque está sendo colocado no mercado internacional e vale muito”, afirmou o governador.
Essa robusta infraestrutura energética já começou a colher frutos industriais tecnológicos. Riedel anunciou que o primeiro grande data center de Mato Grosso do Sul será instalado no estado atraído exclusivamente pela garantia de fornecimento de energia limpa.
Infraestrutura resiliente e compras sustentáveis
A nova diretriz estadual também mudou a forma como o dinheiro público é investido. O governador citou como exemplo as obras do anel rodoviário de Bonito, que receberam aportes adicionais para garantir a drenagem correta do bioma e a preservação da fauna local. “Hoje não dá mais para fazer investimentos sem esse olhar ambiental. A infraestrutura também é sinônimo de resiliência climática”, pontuou.
O pacto assinado também se conecta diretamente com a modernização da máquina pública. O estado vem implementando novos módulos em seu Sistema de Compras Governamentais, integrando transformação digital e ferramentas de governança para que as licitações priorizem insumos e serviços sustentáveis.
Conscientização e a Semana do Meio Ambiente
Além dos painéis técnicos sobre compras públicas, o seminário marcou a abertura simbólica da Semana do Meio Ambiente (celebrada em 5 de junho). Os participantes puderam vivenciar a “Travessia dos Elementos: um caminho para o futuro sustentável”, um túnel sensorial imersivo baseado nos quatro elementos da natureza (terra, água, vento e fogo) que retrata os impactos severos das mudanças climáticas e aponta caminhos para o equilíbrio ecológico.
O evento coroa um histórico de cooperação bem-sucedido entre o Executivo e os órgãos de controle do estado, que já rendeu frutos práticos como o Sistema de Logística Reversa de Embalagens, em funcionamento sob a fiscalização e parceria do TCE-MS desde 2021.

