16 de setembro de 2026
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Projeto “Hidroponia para Todos” quebra resistência de pequenos produtores e impulsiona a agricultura familiar em Naviraí

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Iniciativa financiada pela Fundect e coordenada pelo IFMS leva automatização ao campo, reduz esforço físico e garante autonomia financeira para famílias assentadas na região.

A hidroponia, sistema de cultivo em que as plantas crescem sem solo e recebem água e nutrientes diretamente nas raízes, deixou de ser uma realidade distante e vista como inacessível para pequenos produtores rurais do município de Naviraí. Um projeto inovador apoiado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), conseguiu romper o receio inicial dos agricultores e introduzir a tecnologia no cotidiano da produção familiar.

Batizada de “Hidroponia para Todos”, a iniciativa é coordenada pelo professor Daniel Zimmermann Mesquita, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS). O projeto contou com recursos do edital de Extensão Tecnológica da Fundect — voltado a agricultores familiares, povos originários e comunidades tradicionais —, realizado em parceria com a Secretaria-Executiva de Agricultura Familiar (Seaf).

Segundo o professor Daniel, desmistificar o sistema era o maior desafio no início das atividades. “Mutilos tinham medo, conheciam o sistema de hidroponia, mas achavam que era muito caro, tinham medo de adotar a tecnologia e não saber mexer”, relata o pesquisador.

Menos esforço e mais ergonomia no campo

A tecnologia levada às propriedades utiliza o sistema NFT (Nutrient Film Technique, ou Técnica do Fluxo de Nutrientes), no qual as hortaliças crescem em tubos onde circula constantemente uma solução nutritiva. O método funciona de forma quase totalmente automatizada: temporizadores e bombas controlam o fluxo da água, restando ao produtor apenas o monitoramento de indicadores simples, como o pH e o nível de nutrientes.

Na prática, a rotina de trabalho na lavoura foi transformada. “Na hidroponia, você praticamente não tem esforço físico nenhum. Não tem incidência de plantas daninhas, não precisa ficar com enxada arrancando mato. As bancadas ficam na altura das mãos das pessoas, então é um sistema muito ergonômico”, explica Daniel. Além do ganho na qualidade de vida do trabalhador, o isolamento do solo diminui drasticamente a incidência de doenças nas plantas, elevando a qualidade final das hortaliças.

Expansão com recursos próprios e impacto social

Quatro propriedades familiares foram selecionadas na região de Naviraí para receber o projeto piloto: duas localizadas no Distrito Verde e duas no assentamento Juncal. Cada família foi contemplada com três bancadas hidropônicas completas, insumos, equipamentos e capacitação prática detalhada.

Com capacidade para produzir até 600 plantas por ciclo, o cultivo de alface tornou-se a principal fonte de renda comercializada pelos participantes. “Eles estão produzindo bem, tiveram capacitação, aprenderam a manejar o sistema e estão vendendo. Alguns já comercializam em feiras, supermercados e programas de alimentação escolar”, afirma o coordenador.

O indicador de sucesso mais expressivo, contudo, surgiu após a conclusão do projeto institucional. Ao constatarem a eficiência da horta automatizada, os próprios agricultores começaram a expandir a estrutura original utilizando recursos do próprio bolso. Há casos de produtores que saltaram de três para seis bancadas de cultivo.

Para o diretor-presidente da Fundect, professor Cristiano Carvalho, o resultado valida o investimento público em inovação social. “O mais importante não é apenas a instalação das estruturas com recursos da Fundect, mas a autonomia construída ao longo do projeto. Quando o agricultor perde o medo da tecnologia, aprende a utilizar o sistema e passa a investir por conta própria, nós vemos a inovação cumprindo seu papel social”, destaca.

A ação faz parte da série de reportagens “Fundect: MS ama Ciência”, que visa dar visibilidade aos relatórios técnicos e impactos práticos dos investimentos científicos promovidos no estado de Mato Grosso do Sul.

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