
A presença de pombos (Columba livia) em áreas públicas e edificações de Campo Grande está deixando de ser apenas um incômodo para se tornar uma grave preocupação sanitária. As aves, classificadas como pragas urbanas, carregam e transmitem diversas doenças zoonóticas, colocando em risco a saúde da população da Capital.
Moradores têm reportado a presença de infestações em locais de grande circulação, como escolas e até mesmo a sede do Detran-MS, questionando as autoridades sobre os riscos associados às aves e seus dejetos.

O Perigo das fezes e a inalação de fungos
O maior vetor de contaminação não é a ave em si, mas sim seus excrementos. Quando secas, as fezes dos pombos podem liberar esporos de fungos e bactérias no ar, que são inalados pelas pessoas. Entre as principais doenças transmitidas, destacam-se as que atacam o sistema respiratório e o digestivo:
- Criptococose e Histoplasmose: Ambas são doenças fúngicas potencialmente graves. O contágio ocorre pela inalação de esporos (células reprodutoras) que se proliferam nos excrementos das aves.
- Salmonelose: Doença bacteriana infecciosa, transmitida principalmente quando alimentos e água são contaminados pelas fezes dos pombos.
- Alergias e Dermatites: Causadas pelo contato com o pó das fezes, penas e ectoparasitas (como piolhos) associados às aves.

Orientação CCZ
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Campo Grande reforça que, além de danificarem imóveis, os pombos são um problema de saúde. No entanto, o extermínio das aves é proibido por lei, sendo a única alternativa o Manejo Ambiental.
O CCZ aconselha focar na eliminação de quatro fatores cruciais para a permanência dos pombos na cidade: abrigo, acesso, alimento e água. Um pombo na cidade vive em média 4 anos, enquanto em seu ambiente natural pode viver até 15 anos.
As medidas de prevenção de saúde, também recomendadas pelo Ministério da Saúde, incluem:
- Higiene Segura: Nunca varrer as fezes secas. É fundamental umedecê-las com desinfetante antes da limpeza para evitar que os esporos de fungos se dispersem no ar. O uso de luvas e máscara é essencial.
- Barreiras Físicas: Instalar telas em varandas, janelas e caixas de ar-condicionado e usar grampos ou fios em beirais para impedir o pouso.
- Controle de Alimento: Não oferecer comida aos pombos e garantir que rações de pets e lixo com restos de alimentos estejam sempre bem acondicionados e fora do alcance das aves.

O CCZ realiza a vigilância e fornece orientações de manejo, em que população pode ter mais informações pelo telefone (67) 3313-5000. Em Campo Grande, fica localizado na Av. Sen. Filinto Müller, 1601 – Vila Ipiranga.
A equipe do jornal Pintada News entrou em contato com o Governo do Estado referente à reclamação das sujeiras dos pombos em órgãos públicos e eventual manutenção na prevenção das aves, mas até o momento não obteve retorno. O espaço está aberto para quaisquer pronunciamentos.
Editado por Roberta Cáceres

