
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou nesta quarta-feira (1º) que a estatal está revisando seu plano de negócios com uma meta ambiciosa: tornar o Brasil 100% autossuficiente na produção de óleo diesel em cinco anos. Atualmente, o país depende da importação de cerca de 30% do combustível utilizado por caminhões, ônibus e tratores.
O anúncio ocorre em um momento crítico, com o preço do diesel S10 acumulando alta de 23% no mercado nacional desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro. O conflito no Oriente Médio elevou o barril do petróleo Brent de US$ 70 para patamares acima de US$ 101.
A Estratégia das Refinarias
Para eliminar a dependência externa e entregar os cerca de 300 mil barris adicionais por dia necessários, a Petrobras foca na expansão de unidades estratégicas:
- Rnest (Pernambuco): A Refinaria Abreu e Lima passará por ampliações para elevar a produção de 230 mil para 300 mil barris/dia.
- Reduc e Complexo Boaventura (Rio de Janeiro): A capacidade conjunta deve saltar de 240 mil para 350 mil barris/dia.
- Adaptação em São Paulo: As quatro refinarias paulistas estão sendo adaptadas para reduzir a produção de óleo combustível (usado em termoelétricas) e priorizar o diesel.
“Diesel é o combustível mote do desenvolvimento nacional. A Petrobras adora desafios e quem sabe a gente entrega a autossuficiência do Brasil”, afirmou Chambriard durante evento promovido pela CNN Brasil.
Medidas de Contenção de Preços
Enquanto o plano de autossuficiência é estruturado para o longo prazo, o Governo Federal e a Petrobras tentam mitigar o impacto imediato da guerra no bolso do consumidor. Entre as medidas vigentes estão:
- Zerar Impostos Federais: Alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel foram zeradas.
- Subsídios Estaduais: Negociações avançadas para aplicação de um subsídio de R$ 1,20 por litro em parceria com os estados.
- Subvenção Direta: Reembolso para produtores e importadores para estabilizar a oferta.
Alerta no Setor Aéreo
Apesar dos esforços no diesel, outros derivados seguem em escalada. Nesta quarta-feira, o querosene de aviação (QAV) sofreu um reajuste severo de 55%. Como o combustível representa 30% dos custos das companhias aéreas, o mercado já prevê reflexos imediatos no preço das passagens e na logística de transporte aéreo nacional.

