
Queda de 24% no comparativo anual é impulsionada por chuvas atípicas e redução de incêndios no Pantanal.
Mato Grosso do Sul registrou 650 focos de calor entre janeiro e julho deste ano, segundo dados de monitoramento via satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O acumulado representa o menor número para os primeiros sete meses do ano em toda a série histórica do órgão, iniciada em 1999 com dados anuais consolidados.
O resultado aponta uma redução de aproximadamente 24% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 861 focos. O total dos 12 meses do ano anterior havia sido, até então, o menor valor anual registrado desde 1998.
Entre janeiro e julho, o mês de julho concentrou a maior incidência de focos de calor ativos, com 222 registros. Nos meses anteriores, apenas janeiro superou a marca de uma centena de queimadas, acumulando 111 focos.
Recuperação do Pantanal e impacto no cenário estadual
A redução contínua pelo segundo ano consecutivo ocorre após o pico registrado em 2024, quando o Inpe contabilizou 13.041 focos de calor no estado. Naquele ano, os incêndios florestais no Pantanal atingiram 2,8 milhões de hectares queimados, de acordo com o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa/UFRJ) — área inferior apenas ao recorde de 2020, quando o fogo consumiu 4,2 milhões de hectares.
A retração dos focos de calor no estado é diretamente influenciada pela dinâmica no Pantanal, onde a área atingida pelo fogo ficou em aproximadamente 90 mil hectares na semana recente.
O presidente do Instituto do Homem Pantaneiro (IHP), Ângelo Rabelo, atribui o cenário favorável a precipitações atípicas aliadas às ações integradas de prevenção:
“Temos enfrentado, no Pantanal, uma série de desafios que as mudanças climáticas vêm impondo. Tivemos dois momentos desafiantes e emblemáticos, em 2020 e 2024, com uma estiagem severa e as ocorrências dos incêndios. Mas a natureza vem gerando momentos para ajudar na recuperação. E neste ano, a despeito dos efeitos que esperamos do El Niño, temos tido momentos de chuva em períodos não comuns.”
Rabelo acrescentou que a melhoria na articulação entre órgãos públicos e entidades socioambientais tem sido determinante para evitar grandes focos de incêndio no bioma.
Com informações de Correio do Estado.

