
A biodiversidade de Mato Grosso do Sul ganhou um novo emblema oficial. O Governo do Estado sancionou a Lei nº 6.563/2026, que institui a juruva (Baryphthengus ruficapillus) como a ave símbolo dos domínios da Mata Atlântica em território sul-mato-grossense. A medida visa não apenas a preservação ambiental, mas também o fortalecimento do “aviturismo” (observação de aves) como vetor de desenvolvimento econômico sustentável.
A escolha da espécie é fruto de um processo participativo que envolveu a Assembleia Legislativa, a Fundação de Turismo (Fundtur), universidades e a sociedade civil, com o resultado da consulta pública anunciado originalmente no Dia Mundial do Meio Ambiente.
Estratégia para o Turismo de Natureza
A sanção ocorre em um momento de protagonismo ambiental do Estado, logo após a realização da COP15 em MS. Para a gestão pública, a juruva personifica a identidade das florestas do interior.
“A escolha da ave símbolo reforça a valorização da identidade local e o papel da gestão pública na consolidação do segmento de observação de aves como vetor de desenvolvimento sustentável”, destaca Geancarlo Merighi, diretor de Desenvolvimento do Turismo da Fundtur MS.
A iniciativa já se conecta a projetos práticos, como a recente criação de uma rota de observação de aves em Unidades de Conservação da Mata Atlântica, desenvolvida em parceria com o Imasul e a Instância de Governança Vale das Águas.
A Juruva e o Bioma em MS
Conhecida por sua beleza singular e comportamento discreto, a juruva é considerada um bioindicador, ou seja, sua presença atesta a boa qualidade e saúde dos ecossistemas florestais.
Mato Grosso do Sul abriga um tesouro ecológico: são 6,3 milhões de hectares inseridos no bioma Mata Atlântica. O estado detém a maior área contínua preservada deste bioma no interior do Brasil, com destaque para áreas protegidas como:
- Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema;
- APA das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná;
- Diversas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).
Educação e Conscientização
A nova legislação autoriza o Poder Executivo a utilizar a imagem da juruva em campanhas educativas e materiais institucionais. Para Ana Luzia Abrão, gestora da RPPN Ernesto Vargas Baptista, a lei coroa um esforço coletivo. “Essa aprovação mostra a união de diversas instituições em prol da valorização de uma espécie emblemática da nossa fauna”, celebra.
Com a nova lei, o Estado consolida sua posição como destino estratégico para o turismo de natureza, integrando pesquisa científica, educação ambiental e a valorização das riquezas naturais que compõem o cenário sul-mato-grossense.

