
Em uma ação conjunta focada na prevenção de desastres ambientais, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) concluíram mais uma etapa do Manejo Integrado do Fogo (MIF) no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro. A força-tarefa aplicou técnicas de queima prescrita em uma área superior a mil hectares, englobando o interior da unidade de conservação e propriedades rurais vizinhas.
A iniciativa visa reduzir drasticamente o acúmulo de biomassa seca — que serve como combustível natural — antes do início do período crítico de estiagem. A urgência da ação é reforçada pelos prognósticos climáticos de 2026, que apontam para a influência do fenômeno El Niño, conhecido por provocar estiagens severas e temperaturas elevadas no bioma.
Estratégia aproveitou incêndio natural como aliado
O Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro conta com pouco mais de 76 mil hectares e já possui um Plano de Manejo Integrado do Fogo consolidado. Na primeira etapa do ano, as equipes de monitoramento utilizaram uma tática de oportunidade: aproveitaram o avanço de um incêndio natural que atingia a região oeste do parque para direcionar e potencializar a eliminação controlada do material combustível.
“O monitoramento permitiu que o fogo tivesse uma propagação controlada, sempre observando as condições climáticas. Em alguns pontos, o próprio ambiente auxiliou no controle, principalmente em áreas alagadas que funcionaram como barreiras naturais”, explicou Leonardo Tostes, Gerente de Unidade de Conservação do Imasul.
A operação contou com o suporte tecnológico de uma torre de observação local e sobrevoos do Grupamento de Operações Aéreas (GOA).
Criação de cinturão preventivo e integração com produtores
Entre os dias 11 e 15 de maio, uma segunda etapa foi deflagrada na Fazenda Santa Maria, área vizinha à face leste do parque. Cerca de 600 hectares passaram pelo manejo preventivo, aproveitando uma janela meteorológica favorável trazida por uma frente fria que derrubou as temperaturas e elevou a umidade na região.
De acordo com o Capitão Samuel Pedrozo Borges, da Diretoria de Proteção Ambiental do CBMMS, a queima do centro para o oeste do parque foi planejada para criar uma espécie de cinturão preventivo contra incêndios futuros.
A força-tarefa durou cinco dias e uniu esforços de:
- 10 bombeiros militares;
- 7 servidores técnicos do Imasul;
- 2 pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS);
- Colaboradores civis de fazendas vizinhas, que apoiaram na abertura de aceiros e cederam maquinário agrícola.
Ciência a favor da biodiversidade pantaneira
Diferentemente dos incêndios florestais extremos, a queima prescrita é uma técnica de baixa intensidade. As chamas permanecem brandas e realizam apenas uma limpeza superficial da vegetação. Isso permite que a fauna silvestre se desloque sem ferimentos e evita a destruição profunda das plantas.
O diretor-presidente do Imasul, André Borges, defendeu o uso controlado do fogo como ferramenta essencial de preservação.
“O Pantanal é um bioma que naturalmente convive com o fogo, mas precisamos utilizar técnicas adequadas. Essa atuação conjunta mostra que a prevenção é o caminho mais eficiente para proteger a biodiversidade, os recursos hídricos e as comunidades locais”, afirmou Borges.
Para respeitar os ciclos de recuperação da flora, o plano de manejo determina que nenhuma área seja submetida à queima em anos consecutivos, sendo obrigatório um intervalo mínimo de dois anos entre as intervenções no mesmo quadrante. As ações preventivas na unidade de conservação seguem um cronograma contínuo iniciado em 2025.

