
Com o inverno de 2026 batendo à porta e a ameaça climática do fenômeno El Niño no horizonte, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul intensificou as ações preventivas contra incêndios florestais. Entre os dias 1º e 4 de maio, equipes realizaram uma operação de Manejo Integrado do Fogo (MIF) no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (Pevri), uma das joias da Mata Atlântica no estado.
A técnica, conhecida como queima prescrita, consiste no uso planejado e controlado do fogo para eliminar o excesso de biomassa seca (combustível natural). O objetivo é evitar que, durante o auge da estiagem, faíscas acidentais se transformem em grandes incêndios incontroláveis, como os registrados em 2024.
Tecnologia e Estratégia no Combate ao Risco
A operação no Pevri, que abrange 73,3 mil hectares entre os municípios de Taquarussu, Naviraí e Jateí, não foi baseada apenas em táticas de campo, mas em monitoramento de alta precisão:
- Geotecnologia: Mapeamento detalhado da área antes da ignição.
- Monitoramento Aéreo: Uso de drones com sensores infravermelhos e câmeras térmicas para vigilância contínua, inclusive à noite, e proteção da fauna local.
- Controle Climático: A queima foi iniciada em horários de pico térmico (30 °C), permitindo que o aumento da umidade e o orvalho do fim de tarde extinguissem as chamas naturalmente.
“Se esse manejo não fosse feito, o material serviria como combustível para incêndios de grandes proporções. Com o MIF, garantimos que os animais tenham onde se refugiar”, explicou o guarda-parque Dione Sales dos Santos.
O Fator El Niño em 2026
A urgência da ação se deve à previsão meteorológica para este ano. O fenômeno El Niño deve atuar diretamente sobre Mato Grosso do Sul, provocando temperaturas acima da média durante o inverno e irregularidade nas chuvas. Esse cenário eleva drasticamente o risco de fogo nos três biomas do estado: Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica.
O gerente de Unidades de Conservação do Imasul, Leonardo Tostes, reforça que o manejo é essencial para manter o equilíbrio ecológico. Além de reduzir o risco de incêndios severos, a prática auxilia na eliminação de espécies exóticas e favorece a regeneração da vegetação nativa.
Histórico de Prevenção
A estratégia de antecipação consolidou-se no estado desde 2023. No ano passado, uma ação inédita de queima prescrita foi realizada no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, em Corumbá e Aquidauana, marcando o início do uso dessas técnicas em áreas pantaneiras para mitigar danos à fauna e flora locais.
Com o trabalho no Pevri, o Governo do Estado reafirma a transição de um modelo meramente reativo para um sistema de gestão de riscos, onde o fogo controlado se torna o principal aliado da conservação ambiental.

