16 de setembro de 2026
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Desmatamento no Brasil cai 20,6% e fica abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2019

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O ritmo da perda de cobertura vegetal no Brasil registrou uma desaceleração histórica. Pela primeira vez nos últimos seis anos, a área total de vegetação nativa desmatada no país ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares em um único ano. Em 2025, foram desmatados 984.794 hectares, o que representa uma queda de 20,6% em comparação com o ano anterior.

Os dados foram compilados pelo Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), divulgado pelo MapBiomas nesta quarta-feira (27). Embora o recuo tenha sido observado em todos os biomas brasileiros, a entidade alerta que o patamar de destruição diária ainda é alarmante: o país perdeu, em média, 2.698 hectares por dia — o equivalente a 112 hectares por hora ou a devastação de 17 Parques do Ibirapuera a cada 24 horas.

Alívio no Pantanal e a liderança preocupante do Cerrado

O Pantanal sul-mato-grossense e mato-grossense foi o grande destaque positivo do relatório, registrando a maior redução proporcional de desmatamento entre todos os biomas: uma queda de 48,4% em relação a 2024, limitando a perda a 12.260 hectares.

Por outro lado, o Cerrado e a Amazônia continuam sob forte pressão, concentrando juntos mais de 84% de toda a área desmatada no território nacional:

  • Cerrado: Permanece como o bioma mais afetado, respondendo sozinho por 54,9% do total nacional (540.614 hectares), apesar de um recuo de 16,9% comparado a 2024.
  • Amazônia: Teve redução de 23,5%, totalizando 289.478 hectares derrubados. O ritmo equivale ao desaparecimento de cerca de 5 árvores por segundo.

Em termos de fitofisionomia, as formações savânicas lideraram a destruição pelo terceiro ano consecutivo, representando 51,4% da área afetada, seguidas de perto pelas formações florestais (46,3%).

Radiografia regional: A força do Matopiba e o vetor agropecuário

A região do Matopiba — fronteira agrícola que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, somada ao estado de Mato Grosso, concentrou mais de 63% do desmatamento do país em 2025. Pela primeira vez na série histórica, o município de Canto do Buriti, no Piauí (bioma Caatinga), liderou o ranking nacional de desmatamento, registrando a perda de 20.877 hectares — uma média diária equivalente a 80 campos de futebol.

A expansão agropecuária consolidou-se, mais uma vez, como o principal motor de pressão contra os ecossistemas nativos, sendo responsável por 99% da vegetação suprimida no ano passado. Outros vetores operaram de forma regionalizada: 99% do desmatamento por garimpo concentrou-se na Amazônia (sobretudo no Pará), enquanto 97% da perda de vegetação voltada a projetos de energia renovável ocorreu na Caatinga. A expansão urbana, em contrapartida, subiu 7% e afetou principalmente o Cerrado e a Amazônia.

VETORES DE DESMATAMENTO EM 2025:
│
├── Agropecuária ────────────────────────────────────────── 99% (Nacional)
├── Garimpo ─────────────────────────────────────────────── 99% (Concentrado na Amazônia)
└── Energia Renovável ───────────────────────────────────── 97% (Concentrado na Caatinga)

Áreas protegidas registram queda, mas sofrem invasões

As Terras Indígenas (TIs) e as Unidades de Conservação (UCs) mantiveram o posto de territórios mais preservados do Brasil, apresentando também retração nos índices de criminalidade ambiental. Dentro de UCs, o desmatamento recuou 21,4% (46.257 hectares), com destaque para as áreas de Proteção Integral, onde a queda foi de 55,8%.

Contudo, ameaças pontuais persistem. A Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Preto, na Bahia, contrariou a tendência de baixa e teve um aumento de 44% no desmatamento, tornando-se a UC mais golpeada do país. Já nas Terras Indígenas, o recuo foi de 22% (12.593 hectares). A TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, seguiu no topo da lista das áreas indígenas mais desmatadas, mesmo anotando uma redução de 34% em sua taxa de destruição.

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