16 de setembro de 2026
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Desaparecimentos de crianças e adolescentes crescem 8% no Brasil

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O Brasil encerrou o ano de 2025 com um alerta vermelho aceso para a segurança de suas crianças e adolescentes. Dados inéditos do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) revelam que, das 84.760 ocorrências de desaparecimento registradas no último ano, 23.919 envolviam menores de 18 anos.

O número representa um aumento de 8% em relação a 2024, uma taxa de crescimento que dobra a média dos casos gerais (4%). Na prática, isso significa que, a cada hora, pelo menos duas famílias brasileiras procuram uma delegacia para relatar o sumiço de um filho.

O Perfil do Medo: Meninas são Maioria

Diferente do cenário geral de desaparecidos, onde os homens compõem 64% das estatísticas, o recorte infantojuvenil inverte a lógica de gênero: 62% das ocorrências envolvem meninas.

Para Simone Rodrigues, coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes/UnB), as causas são multifatoriais e exigem um olhar clínico sobre a realidade doméstica. Além das categorias de desaparecimento voluntário, involuntário e forçado, a especialista destaca o “desaparecimento estratégico”.

“É a pessoa que desaparece para sobreviver. Casos de mulheres que fogem de maridos abusivos ou crianças vítimas de maus-tratos que buscam escapar de um ambiente hostil”, explica Rodrigues.

O Trauma por Trás dos Números

As estatísticas ganham rosto na história do pequeno I.S.B, de 10 anos. Morador de Curitiba, o menino desapareceu por três dias após sair para brincar. O motivo? O medo do castigo após perder a noção do tempo na rua.

Seu pai, o pintor Leandro Barboza, descreve o período como uma “agonia indescritível”. Enquanto o filho dormia sobre papelões atrás de carros, a poucos quarteirões de distância, Leandro enfrentava não apenas o terror de ter o filho raptado, mas o julgamento social.

“Nas redes sociais muita gente critica, chama de irresponsável. Até na delegacia ouvi que eu poderia ser responsabilizado. Eu estava ali pedindo ajuda após um dia inteiro de trabalho”, desabafa o pai. O caso de I.S.B teve um final feliz graças a um idoso que reconheceu o garoto através de um alerta na internet, mas a cicatriz emocional permanece.

Desafios e Lacunas

Apesar de a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas estar em vigor desde 2019, o país enfrenta uma curva de crescimento gradual desde 2023. O Mapa dos Desaparecidos, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que o período crítico ocorre entre sexta-feira e domingo.

Especialistas e famílias concordam em um ponto central: a falta de suporte pós-crise. Leandro Barboza ressalta que, após o reencontro, as famílias ficam desamparadas. “Seria importante receber o apoio de um psicólogo para saber como conversar e orientar. A gente faz o melhor que pode, mas o medo de acontecer de novo nunca some”, conclui.

Editado por Roberta Cáceres

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