
A partir desta segunda-feira (23), Mato Grosso do Sul sedia um dos eventos ambientais mais relevantes do calendário global: a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS). É a primeira vez que o Brasil recebe o encontro, que reunirá representantes de mais de 130 países, cientistas e autoridades internacionais até o próximo domingo (29).
A abertura oficial conta com uma sessão especial antecipada para este domingo (22), no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, com a presença confirmada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades de alto escalão.
O Pantanal como Cenário Estratégico
A escolha da capital sul-mato-grossense não foi casual. O estado abriga o Pantanal, bioma que serve como rota migratória vital para centenas de espécies, especialmente aves. Além disso, as políticas de arborização urbana de Campo Grande fortaleceram a candidatura da cidade para sediar o debate sobre sustentabilidade e preservação.
“A conferência será presidida por João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e focará em políticas e investimentos para frear a perda de biodiversidade.”
Diagnóstico e Desafios da Fauna Migratória
A COP15 ocorre sob um alerta urgente da ONU. Dados da convenção revelam que a pressão humana tem sido devastadora para os animais que cruzam fronteiras:
- 75% das espécies migratórias sofrem com a perda e fragmentação de habitats;
- 70% dessas espécies são prejudicadas pela sobre-exploração (caça e pesca predatória).
Atualmente, o tratado da CMS protege 1.189 espécies, incluindo mamíferos terrestres e aquáticos, aves, peixes e insetos. Estes animais são fundamentais para o equilíbrio ecológico, atuando na polinização, dispersão de sementes e sustentando economias através do ecoturismo.
O que esperar da Conferência:
Durante os sete dias de evento, a cúpula internacional irá:
- Atualizar os anexos da convenção com novas espécies que necessitam de proteção urgente;
- Deliberar sobre ações coordenadas entre países vizinhos para garantir corredores ecológicos seguros;
- Definir prioridades de investimento para a conservação da biodiversidade nos próximos anos.

