16 de setembro de 2026
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Campo Grande reúne 32,5 mil apostadores on-line, volume superior à população de 63 cidades de MS

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O número de apostadores em jogos de azar e apostas esportivas on-line em Campo Grande já ultrapassa a população inteira de 63 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul (79,75% do total do Estado), de acordo com dados do Ministério da Fazenda cruzados com as estimativas demográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento aponta que 3,35% dos habitantes da Capital — cerca de 32,5 mil pessoas — estão envolvidos em plataformas digitais de apostas de quota fixa. A quantidade de jogadores é comparável ao total de residentes de São Gabriel do Oeste e supera o contingente populacional de cidades tradicionais do interior, como Ivinhema, Aparecida do Taboado, Costa Rica e Miranda.

Apesar da dimensão do número em âmbito estadual, Campo Grande figura entre as capitais com os menores índices proporcionais de apostadores no país. O ranking nacional é liderado pelo Rio de Janeiro (RJ), onde 26,89% da população (mais de um a cada quatro moradores) declara apostar. Atualmente, 85 empresas atuam legalizadas no Brasil pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), operando 188 plataformas autorizadas.

Impactos na saúde mental e diagnóstico de ludopatia

Especialistas alertam para o crescimento do vício em jogos (ludopatia), transtorno mental catalogado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que atinge mais de 1,4 milhão de brasileiros, segundo a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Conforme explica o psicólogo clínico Alexandre Zanirato Contini da Silva Vitoriano, especialista em Análise do Comportamento, o avanço das apostas cria desafios sociais severos:

  • Sinais de alerta: Tempo excessivo em plataformas, apostas de valores elevados, alterações emocionais após perdas sucessivas, isolamento social e comprometimento de recursos essenciais para subsistência.
  • Ciclo de dependência: O volume financeiro movimentado dificulta a conscientização e amplia a vulnerabilidade de famílias afetadas pelo endividamento.

Atendimento e suporte pelo SUS

Para enfrentar a alta demanda, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza canal de teleatendimento gratuito e sigiloso em saúde mental voltado a maiores de 18 anos e seus familiares, com capacidade para até 100 mil atendimentos mensais.

Segundo o Ministério da Saúde, a procura por assistência relacionada a apostas aumentou cerca de 140% nos últimos cinco anos. No mesmo período, mais de 500 mil brasileiros solicitaram a autoexclusão definitiva de cadastros em plataformas de apostas em virtude da perda de controle financeiro e emocional.

Com informações de Correio do Estado

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