16 de setembro de 2026
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Campo Grande registrou mais de 17 mil atendimentos a mulheres vítimas de violência em 2025

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Dados oficiais publicados nesta quarta-feira (11 de março) no Diogrande revelam a dimensão do desafio enfrentado pela rede de proteção à mulher em Campo Grande. O Dossiê Mulher Campo-grandense 2026, elaborado pela Secretaria Executiva da Mulher (Semu), aponta que a Casa da Mulher Brasileira realizou 17.355 atendimentos em sua recepção ao longo de 2025, consolidando-se como a principal porta de entrada para o acolhimento e orientação de vítimas.

Dentro da mesma estrutura, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) registrou 9.209 boletins de ocorrência, mantendo uma média crítica de mais de 700 registros mensais.

O “Efeito Março”: Impacto social e aumento nas buscas

Um dado alarmante do relatório é o pico registrado no mês de março de 2025. Com 2.707 atendimentos na recepção e 900 boletins de ocorrência na Deam, o período destoou da média anual.

Este aumento coincide com o impacto social do feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, ocorrido em 17 de fevereiro daquele ano. A repercussão do crime parece ter encorajado mais mulheres a buscarem ajuda e formalizarem denúncias, evidenciando como casos emblemáticos mobilizam a rede de proteção.

Geografia da Violência: Anhanduizinho lidera registros

O mapeamento territorial do dossiê permite identificar as regiões da cidade com maior incidência de busca por socorro. A região do Anhanduizinho, a mais populosa da Capital (incluindo bairros como Aero Rancho e Los Angeles), concentrou 24,3% dos atendimentos.

Região Urbana% de Atendimentos
Anhanduizinho24,3%
Bandeira17,8%
Lagoa15,01%
Segredo14,5%
Imbirussu12,01%
Centro5,9%
Prosa5,3%

Perfil das Vítimas: Jovens e adultas são as mais atingidas

O relatório traça um perfil geracional das mulheres que acessam os serviços de proteção. A violência atinge com maior força as mulheres em idade economicamente ativa e com maior circulação social:

  • 21 a 30 anos: 27,9% dos registros.
  • 31 a 40 anos: 24% dos registros.
  • 41 a 50 anos: 21,3% dos registros.

Somadas, as faixas entre 21 e 40 anos representam mais da metade de todos os atendimentos realizados no período analisado.


A Importância do Dossiê para Políticas Públicas

Em sua quarta edição, o Dossiê Mulher Campo-grandense vai além da estatística fria. Segundo a Semu, o objetivo é organizar a rede de atendimento para subsidiar políticas públicas mais eficazes. Identificar que a violência é uma realidade permanente — com meses de “baixa” ainda registrando 640 casos (junho) — permite ao município dimensionar a pressão sobre os equipamentos públicos e planejar ações preventivas específicas para cada bairro.

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