
Em uma iniciativa que une conservação e ciência, o Bioparque Pantanal realizou o resgate de diversas espécies de peixes impactadas pela “decoada” no Rio Miranda. A expedição, ocorrida na região do Passo do Lontra, mobilizou uma equipe multidisciplinar para garantir que os animais sobreviventes fossem reabilitados e integrados ao acervo do complexo.
Entenda o Fenômeno da Decoada
A decoada é um evento natural e cíclico do ecossistema pantaneiro, mas que impõe desafios severos à fauna aquática. O biólogo-curador do Bioparque, Heriberto Guimenes Júnior, explica que o fenômeno é desencadeado quando o nível dos rios sobe e invade as planícies.
“O processo acontece quando a água extravasa para as margens e entra em contato com matéria orgânica, como folhas e galhos. Isso gera uma atividade bacteriana intensa que consome o oxigênio da água, causando a morte de peixes que não conseguem migrar a tempo”, esclarece o especialista.
Entre os principais animais resgatados nesta ação estão:
- Cascudos (Loricaria spp. e Pseudohemiodon spp.)
- Bagres (Amaralia spp.)
Estas espécies são consideradas mais vulneráveis por possuírem menor mobilidade ou maior sensibilidade às variações drásticas nos níveis de oxigênio dissolvido.
Protocolo de Reabilitação e Quarentena
Após o resgate, os peixes foram transportados sob supervisão de biólogos, veterinários e zootecnistas. Ao chegarem a Campo Grande, os exemplares foram submetidos a um rigoroso protocolo de quarentena, onde o estado clínico e nutricional é monitorado diariamente para garantir a plena recuperação antes da introdução nos tanques de exposição.
Ciência Aplicada à Conservação
O trabalho do Bioparque vai além do salvamento imediato. Os animais resgatados tornaram-se objeto de um projeto de pesquisa científica que busca compreender como diferentes espécies reagem e sobrevivem aos impactos da decoada.
Para a diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri, a ação reforça a identidade da instituição como um centro de produção de conhecimento. “Mais do que acolher esses indivíduos, nós os transformamos em fonte de aprendizado. É a união entre cuidado e propósito que orienta nossas ações para estratégias mais eficazes de conservação da ictiofauna”, afirmou.
Os dados coletados durante a reabilitação devem ser publicados em revistas científicas, contribuindo para a literatura acadêmica sobre a dinâmica ambiental do Pantanal e auxiliando na preservação da biodiversidade aquática do bioma.

