
A cena foi simples, mas carregada de expectativas: na Arena Showtec, em Maracaju (MS), enquanto produtores rurais trocavam anotações e números circulavam entre slides, o analista Hyberville Neto lançava uma previsão que animou parte da plateia: a arroba do boi gordo pode alcançar R$ 390 até o fim de 2024. Não era otimismo vazio, mas uma leitura baseada em dados atualizados da B3, a bolsa de valores onde também se medem as apostas sobre o futuro da pecuária.
A fala foi feita durante o painel “O futuro da pecuária – estratégia e profissionalização”, realizado nesta terça-feira (20), como parte da programação do Showtec 2025. O evento, promovido pela Famasul Jovem e pela Associação Novilho Precoce MS, reuniu especialistas e produtores para debater os rumos da atividade em um cenário de virada.
Hyberville, que representa a HN Agro, explicou que a projeção se apoia em dois fatores principais: a queda na oferta de animais para abate e a manutenção da demanda internacional em patamares altos. “A nossa expectativa é positiva. A oferta de gado tende a cair e a demanda externa continua forte. Isso deve reduzir a carne disponível no mercado interno e permitir uma valorização mais intensa da arroba. Essa é a nossa leitura base do mercado”, afirmou o analista.
Um novo ciclo de valorização – Embora o momento atual ainda esteja marcado pelas pressões típicas do final da safra — com mercados físicos mais contidos —, Hyberville avalia que a tendência para os próximos meses é de redução dos abates, especialmente com o ciclo de retenção de fêmeas já em andamento. Na prática, menos animais disponíveis e uma demanda firme devem puxar os preços para cima, criando um ambiente mais favorável para quem trabalha com boi gordo.
A análise também levou em conta a movimentação dos grãos, com destaque para o milho, que pesa diretamente na conta da engorda e do confinamento. Apesar de boas projeções para a produtividade da safrinha, o analista foi cauteloso. “O mercado futuro pode estar exagerando na projeção de queda. A relação entre oferta e consumo não é confortável, o que pode limitar a pressão sobre os preços. Isso também impacta decisões na engorda e no confinamento”, explicou.
Mais união, menos custo – Mas o painel não foi só sobre números. A fala de Alexandre Guimarães, superintendente da Associação Novilho Precoce MS, lembrou aos participantes que o associativismo pode ser a chave para aproveitar os bons ventos do setor — e, principalmente, para resistir nos momentos ruins.
“Eventos como este mostram o quanto o associativismo é essencial. É por meio da organização dos produtores que conseguimos acessar tecnologia, informação, programas de incentivo e garantir representatividade nas decisões que moldam o futuro da nossa atividade. E principalmente, é por meio de organizações assim que conseguimos baixar custo e aproveitar da melhor forma os momentos de alta”, resumiu Guimarães.
O debate teve ainda a presença do professor Moacyr Corsi, da USP, do especialista Sidnei de Souza, da Terra Desenvolvimento, e foi mediado pelo produtor rural Fábio Caminha. As informações são de A Crítica.
Otimismo no campo, mas com os pés no chão – O clima entre os participantes do painel foi de cautela positiva. Ninguém ali falava em euforia, mas sim em oportunidades reais que podem surgir com a retomada gradual da valorização. E, como lembraram os especialistas, estar preparado é o que faz diferença entre aproveitar o ciclo ou assistir de longe.
Com mais de 120 mil metros quadrados de área, o Showtec 2025 reforça sua posição como uma das maiores vitrines do agronegócio brasileiro.
Editado por Roberta Cáceres

