
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga a morte de Kalebe Josué da Silva, de apenas 1 ano e 8 meses, ocorrida na madrugada desta quarta-feira (29) na Santa Casa da Capital. Os principais suspeitos são a mãe, Taynara Fernanda da Silva Campos, 31, e o padrasto, Mikael Alexandre Souza de Campos, 21. O caso apresenta semelhanças alarmantes com o assassinato da menina Sophia Ocampo, ocorrido há pouco mais de três anos.
O menino deu entrada no hospital com um quadro clínico gravíssimo, apresentando hematomas de diferentes cores pelo corpo — o que indica agressões em datas distintas —, lesão na cabeça e indícios de abuso sexual.
O Atendimento e a Versão dos Suspeitos
A investigação teve início na manhã de terça-feira, na Vila Santa Luzia, após uma motorista de aplicativo acionar a DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). Segundo o boletim de ocorrência, a mãe entrou no veículo em estado de choque, afirmando que o filho estava morto em casa.
Ao chegarem à residência, policiais militares encontraram o padrasto segurando a criança, que já não respirava. Após manobras de reanimação realizadas pelos agentes e pelo Samu, Kalebe foi levado à Santa Casa. Na casa, a perícia encontrou:
- Vestígios de sangue na coberta da criança e na cama do casal;
- Uma pequena quantidade de maconha na varanda;
- Dilatação anal e hematomas na base do pênis da vítima.
Defesa: O padrasto alegou que o menino sofreu uma queda no dia anterior e que “tratou com gelo”. A mãe afirmou que só notou as lesões na véspera e que não suspeitava de maus-tratos, descrevendo a relação entre o padrasto e o enteado como “carinhosa”.
Histórico e Atuação do Conselho Tutelar
O Conselho Tutelar da Região Norte informou que não havia denúncias prévias envolvendo Kalebe. Contudo, foi revelado que Taynara já havia perdido a guarda de outros três filhos, que vivem com as famílias paternas.
A criança estava em Campo Grande desde dezembro, após um período morando com a avó materna no interior. Diante das inconsistências nos relatos e da gravidade das lesões, o casal foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça.
Semelhanças com o Caso Sophia
A tragédia evoca imediatamente a memória de Sophia de Jesus Ocampo, morta em janeiro de 2023. Em ambos os episódios:
- Parentesco: Padrasto e mãe figuram como autores (por agressão e omissão).
- Violência: Presença de traumatismos e sinais de abuso sexual.
- Justificativa: Uso de “quedas acidentais” para esconder agressões recorrentes.
Vale lembrar que, no Caso Sophia, a mãe (Stephanie) e o padrasto (Christian) foram condenados recentemente a penas que somam 52 anos de prisão. O Estado e o Município também foram condenados a indenizar o pai biológico por falhas na rede de proteção que não impediram o crime.
O corpo de Kalebe foi encaminhado ao Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) para exames necroscópicos que confirmarão a causa exata da morte e a extensão dos abusos.
Com informações do Correio do Estado -https://correiodoestado.com.br/cidades/apos-3-anos-do-caso-sophia-policia-investiga-nova-morte-de-crianca/465894/

