16 de setembro de 2026
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Quem é Roberto Razuk, ex-deputado de MS preso em operação contra jogo do bicho?

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Figura política expressiva de Dourados, empresário já foi preso outras três vezes nos últimos 20 anos

Preso nesta terça-feira (25) em operação policial contra o jogo do bicho, o empresário e ex-deputado estadual Roberto Razuk é o patriarca de uma família de políticos radicada em Dourados, município da região sul de Mato Grosso do Sul. Ele já estava afastado da vida pública, mas ainda exercia influência.

Razuk é um dos alvos da quarta fase da Operação Successione, que investiga um esquema de exploração de jogos de azar. Nascido em 7 de março de 1941, em Campo Grande, onde morou até os 18 anos. Depois, passou pelo interior de São Paulo antes de se mudar para o Rio de Janeiro para estudar engenharia.

Nessa época, ele chegou a ser preso por participar de protestos contra a ditadura militar. Voltou para o Estado na década de 1970, onde começou a se aproximar da política. Em 1982, entrou de vez nesse universo ao atuar na campanha de Gandi Jamil para deputado estadual, que foi eleito.

Já em 1986, Razuk foi eleito pela primeira vez deputado estadual, na época pelo PFL. Foi reeleito em 1990 pelo PDT, e deixou de disputar a partir de 1994. Voltou em 2002, mas a campanha foi frustrada pela primeira prisão.

Roberto Razuk já foi preso em plena campanha eleitoral

Em 4 de agosto de 2002, a PF (Polícia Federal) prendeu o então candidato a deputado estadual, Roberto Razuk, por suspeita de crimes contra o sistema financeiro nacional. O MPF (Ministério Público Federal) o acusou de obter um empréstimo de R$ 3,5 milhões por métodos fraudulentos.

Para conseguir o financiamento, o empresário ofereceu como garantia uma fazenda em Ladário, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. A investigação revelou que a fazenda não existia e que a documentação da propriedade era fraudulenta.

Razuk tentou liberdade, mas não conseguiu habeas corpus nem mesmo no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele acabou condenado em março de 2003 pelo então juiz federal Odilon de Oliveira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, a mais de 20 anos de prisão.

Dois anos depois, ele passou para o regime semiaberto. Em 2011, Razuk conseguiu absolvição neste caso.

Porém, o ex-deputado voltou a ser preso em julho de 2007. Na ocasião, a PF deflagrou a Operação Xeque-Mate, sob a acusação de integrar um mega esquema de exploração de jogos caça-níquel. A prisão foi temporária.

Em janeiro de 2015, o empresário voltou a ser preso junto com o filho, Rafael Godoy Razuk, transportando 100 munições e R$ 40 mil em espécie. Os dois admitiram que traziam a munição do Paraguai.

Pai e filho foram presos em flagrante, mas conseguiram liberdade. Em maio de 2022, Razuk foi condenado a quatro anos de prisão em regime aberto por tráfico internacional de armas.

Já Rafael teve a pena de prisão substituição pelas medidas restritivas de prestação de serviços à comunidade e pagamento de prestação pecuniária de 48 vezes de R$ 300.

Os dois recorrem em liberdade. Razuk conseguiu em novembro de 2025 ter a pena extinta, mas o TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) manteve a pena de Rafael. O caso ainda cabe recurso.

Gaeco deflagra quarta fase da Operação Successione

Na terça-feira, 25 de novembro de 2025, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) deflagrou a quarta fase da Operação Successione, contra uma organização criminosa que explora jogos ilegais.

Foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e de 27 mandados de busca e apreensão nos Municípios de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã, além de alvos nos Estados do Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

Entre os presos, estão o empresário e ex-deputado estadual Roberto Razuk; os filhos dele Rafael e Jorge Razuk; o advogado e suplente de deputado estadual Rhiad Abdulahad; além do empresário Sérgio Donizete Balthazar e uma pessoa identificada como Samuel.

Em dezembro de 2023, o Gaeco identificou que o grupo tentou assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande, após a derrocada da família Name na Operação Omertà, em dezembro de 2019.

O deputado estadual Neno Razuk (PL) — filho de Roberto Razuk — é apontado pelos promotores como líder da organização criminosa que contava com policiais militares como ‘gerentes’ do grupo que controlava o jogo do bicho no Estado.

Os mandados foram cumpridos em endereços dos pais de Neno, do chefe de gabinete dele e de Rhiad.

Roberto Razuk foi apontado pelo Gaeco como antigo chefe da operação do jogo do bicho na região sul do Estado. Até a década de 1990, o esquema em todo o Mato Grosso do Sul era liderado por Fahd Jamil, também alvo da Successione em fases anteriores.

Fahd deixou o comando da organização criminosa e dividiu a operação em duas frentes: a região de Campo Grande ficou com Jamil Name e a da região de Dourados e Ponta Porã passou para Roberto Razuk. O antigo líder ficou distante, mas manteve influência, como mostrou reportagem da revista Piauí em dezembro de 2024.

FONTE: JORNAL MIDIAMAX.

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