
Uma força-tarefa contínua entre a Vigilância Sanitária Estadual e a Anvisa atingiu uma marca histórica no combate ao comércio ilegal de medicamentos em Mato Grosso do Sul. Em pouco mais de dois meses, a Operação Visa-Protege apreendeu quase uma tonelada de ampolas e canetas emagrecedoras sem registro no Centro de Distribuição dos Correios, na Capital.
A carga, composta por produtos sem garantia de procedência e com rotulagens inconsistentes, é avaliada em mais de R$ 10 milhões. Segundo as investigações, a malha logística de Campo Grande estava sendo utilizada como entreposto para o envio massivo desses itens, tendo como destino principal estados da região Nordeste.
Estratégias de Ocultação e Riscos à Saúde
Para tentar burlar a fiscalização diária, os remetentes utilizavam métodos criativos e perigosos. Parte dos medicamentos era escondida dentro de embalagens de outros produtos e até em meio a alimentos.
Além da ausência de registro sanitário, os fiscais identificaram que os itens eram transportados sem qualquer controle de temperatura, o que compromete a eficácia e a segurança de substâncias que exigem refrigeração.
“A fiscalização permanente permite identificar padrões de envio e avançar na responsabilização dos envolvidos. É uma atuação baseada em inteligência e integração”, afirma o fiscal da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Moreira Pirolo.
Desdobramentos e Incineração
Todo o material apreendido está sob custódia da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e será incinerado nas próximas semanas. No entanto, o prejuízo financeiro aos criminosos é apenas o início das consequências:
- Investigação Policial: Dados de remetentes e destinatários foram enviados às autoridades para apurar crimes contra a saúde pública e o exercício irregular da profissão.
- Indícios de Organização: As autoridades acreditam na atuação de grupos organizados que operam no mercado clandestino de emagrecimento.
- Integração: A operação une esforços da Anvisa, da Coordenação de Portos, Aeroportos e Fronteiras (CVPAF-MS), do Conselho Regional de Farmácia (CRF/MS) e dos Correios.
A Operação Visa-Protege segue por tempo indeterminado, consolidando-se como uma barreira estratégica contra a entrada e distribuição de produtos que colocam em risco a vida dos consumidores brasileiros.

