
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), deflagrou na manhã desta terça-feira (31) a operação Mão Dupla. A ação é a segunda fase da Operação Pretense e mira um esquema de fraude em licitações, desvio de dinheiro público e corrupção na fronteira.
A ofensiva ocorreu simultaneamente em quatro cidades: Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó, mobilizando agentes para o cumprimento de uma série de ordens judiciais expedidas após investigações sobre contratos da administração municipal.
Balanço da Operação
As equipes foram às ruas para cumprir um total de 23 mandados de busca e apreensão. Além das buscas, o Judiciário impôs medidas rigorosas para desarticular o suposto grupo criminoso:
- Suspensões de Função Pública: Dois agentes públicos foram afastados imediatamente de seus cargos.
- Medidas Cautelares: 13 ordens que incluem o monitoramento eletrônico (tornozeleira) de investigados.
- Restrições de Acesso: Os alvos estão proibidos de frequentar prédios da administração municipal e de manter contato entre si.
- Buscas Pessoais: Duas ordens de revista direta foram executadas durante a manhã.
O Foco das Investigações
A operação “Mão Dupla” investiga como empresas e agentes públicos teriam manipulado processos licitatórios para direcionar contratos e desviar recursos que deveriam ser aplicados em serviços para a população de Coronel Sapucaia.
O nome da fase, “Mão Dupla”, faz alusão à via de mão dupla entre o setor privado e o poder público no esquema de corrupção. O Gaeco ainda trabalha na análise dos materiais apreendidos — que incluem documentos, computadores e dispositivos móveis — para identificar o montante exato do prejuízo causado aos cofres públicos.
Até o fechamento desta reportagem, a prefeitura de Coronel Sapucaia não havia se manifestado oficialmente sobre as suspensões e as buscas realizadas em suas dependências.

