
Em novo desdobramento das investigações iniciadas com a Operação Carbono Oculto, a Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram a Operação Bomba Oculta, que mira esquemas de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e sonegação no setor de combustíveis. Somente em Mato Grosso do Sul, 28 postos de combustíveis tiveram seus cadastros declarados inaptos pela Receita Federal e pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ficando impedidos de operar.
As cidades e endereços exatos dos postos em MS permanecem sob sigilo fiscal e judicial. No plano nacional, a ofensiva resultou na anulação de 1.283 inscrições de CNPJs e 228 inscrições estaduais, além de mandados executados em São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Asfixia financeira do crime organizado
Segundo o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a ação tem como objetivo central interromper o fluxo financeiro de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC), que utilizam postos e distribuidoras como fachada para integrar valores ilícitos ao sistema bancário regular.
“Quando você suspende ou torna inapto o CNPJ de 1.283 empresas claramente irregulares, muitas delas envolvidas diretamente com organizações criminosas, você asfixia financeiramente essas organizações, você asfixia o ponto de entrada da lavagem de dinheiro delas”, ressaltou Barreirinhas.
Ramificações e base fantasma em Iguatemi
As conexões com o território sul-mato-grossense remontam às primeiras fases das operações Carbono Oculto e Fluxo Oculto. Um dos principais alvos foi uma antiga destilaria desativada no km 18 da rodovia MS-290 (Estrada da Balsinha), no município de Iguatemi, no Cone Sul do Estado.
O local abrigava uma estrutura fantasma que funcionava como sede fictícia para mais de 20 empresas de fachada usadas em fraudes bilionárias de PIS/Cofins e sonegação de tributos federais:
- Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda.: Apontada como peça central nas manobras fiscais, acumula uma dívida ativa de R$ 2,93 bilhões com a União — a maior do gênero no Estado.
- Safra Distribuidora de Petróleo e Império Comércio de Petróleo S.A.: Estabelecidas no mesmo endereço e investigadas pela movimentação de bilhões de reais sem lastro operacional real.
As apurações apontam Mohamad Murad (“Primo”) e Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”) como operadores da engenharia financeira que conectava a distribuição de combustíveis aos operadores da Faria Lima, em São Paulo, e às contas do crime organizado.
Com informações de Correio do Estado e Receita Federal.

