
Em uma nova ofensiva contra a corrupção no interior de Mato Grosso do Sul, o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público Estadual (MPMS), deflagrou nesta quarta-feira (26) a Operação Camuflagem. A ação resultou na prisão de cinco pessoas suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de bens ligado a investigados da já conhecida Operação Tromper.
O foco da operação é desarticular uma rede de apoio que, segundo os promotores, trabalhava para “camuflar” a origem e a propriedade de valores pertencentes a um integrante central de uma organização criminosa que atua na região.
A Rede de “Laranjas” e Empresas de Fachada
De acordo com as investigações do MPMS, o grupo utilizava uma estrutura sofisticada para driblar as decisões judiciais e manter o fluxo financeiro da organização. O esquema consistia em:
- Uso de Intermediários: Utilização de pessoas físicas e empresas registradas em nomes de terceiros (os chamados “laranjas”) para movimentar capital.
- Blindagem Patrimonial: Desvio de bens do nome do verdadeiro proprietário para evitar bloqueios determinados pela Justiça.
- Movimentações em Custódia: O Ministério Público afirma que o esquema continuou operando ativamente mesmo enquanto o principal investigado estava sob prisão preventiva, com pagamentos sendo efetuados por intermediários para beneficiar sua família.
Desdobramento da Operação Tromper
A Operação Camuflagem recebe este nome justamente pela tentativa do grupo de disfarçar a verdadeira face dos negócios e a titularidade dos ativos financeiros. Esta fase é considerada um desdobramento crítico da Operação Tromper, que investiga fraudes em licitações e desvios de recursos públicos na Prefeitura de Sidrolândia.
A ofensiva desta quarta-feira demonstra que, além dos crimes de corrupção ativa e passiva, a organização criminosa mantinha um braço logístico focado exclusivamente na lavagem de dinheiro e na manutenção do patrimônio ilícito, mesmo sob o cerco das autoridades.
Próximos Passos Judiciais
Os cinco presos foram encaminhados para prestar depoimento e permanecem à disposição do Judiciário. O MPMS deve agora analisar os documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos durante as buscas para identificar se outros agentes públicos ou empresários também se beneficiaram da rede de ocultação.
Até o fechamento desta edição, as defesas dos investigados não haviam se pronunciado publicamente sobre as prisões.

