
Em Rio Verde de Mato Grosso, Nathaly Nogueira Rodrigues, de 24 anos, foi detida após desferir um golpe fatal de faca no tórax do marido, Erismar Plácido Ferreira, de 34 anos. O caso ocorreu no interior de um bar da cidade poucas horas depois de a mulher ter registrado um boletim de ocorrência de violência doméstica contra ele.
Em depoimento às autoridades, a suspeita alegou legítima defesa e afirmou que agiu em reação a novas agressões, ressaltando que tomou a atitude por medo de “ter o mesmo destino da irmã”. Ela é irmã de Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, assassinada há exatamente um mês no mesmo município em um crime de feminicídio.
O histórico trágico na família
O episódio ocorre no rastro do luto recente vivenciado pelos familiares:
- Feminicídio da irmã (6 de agosto de 2026): Nathalia foi morta com quatro golpes de faca na região dorsal e na nuca, desferidos pelo namorado Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos. O ataque aconteceu na calçada da residência onde moravam, no bairro Santa Inês, logo após uma discussão do casal, enquanto os dois filhos da vítima estavam dentro do imóvel. O agressor confessou informalmente por telefone a um parente antes de fugir em uma motocicleta.
- Morte do companheiro (setembro de 2026): Após procurar a polícia para denunciar agressões do marido, Nathaly confrontou Erismar no estabelecimento comercial, resultando no esfaqueamento no peito que causou a morte do homem.
Dados de feminicídio em Mato Grosso do Sul
O caso traz à tona os índices alarmantes de crimes de gênero no Estado. Levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) aponta que 26 mulheres foram assassinadas vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul entre 1º de janeiro e 9 de setembro de 2026.
Classificado como crime autônomo e hediondo pela legislação brasileira, o feminicídio prevê pena de 20 a 40 anos de reclusão em regime fechado, sem direito a fiança, além da perda automática do poder familiar sobre dependentes e proibição de posse em cargos ou funções públicas para os condenados.
Canais de auxílio e denúncia
Autoridades e órgãos de proteção reforçam que qualquer situação de violência doméstica — física, verbal, psicológica, sexual ou patrimonial — deve ser prontamente comunicada:
- 180: Central de Atendimento à Mulher (orientações e suporte);
- 190: Polícia Militar (casos de emergência imediata e flagrante);
- 153: Guarda Civil Metropolitana;
- Campanha Sinal Vermelho: Desenho da letra “X” em vermelho na palma da mão, utilizado por vítimas para pedir socorro silenciosamente em farmácias, comércios e repartições públicas.
Com informações de Correio do Estado e Sejusp-MS.

