
Um caso de violência sexual familiar veio à tona na última quinta-feira (6) em Campo Grande. Um coronel da reserva da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, de 52 anos, foi denunciado por ter abusado da própria filha desde quando ela tinha apenas 9 anos de idade. Além dos crimes cometidos contra a filha, o relato aponta que o militar praticou violência sexual contra outros familiares ao longo dos anos, incluindo o próprio filho e neta.
O registro policial revela um histórico de terror e intimidação. De acordo com o boletim de ocorrência, a denunciante — hoje com 33 anos — procurou a 11ª Companhia Independente da Polícia Militar para formalizar as acusações e buscar proteção para si e para a mãe.
Histórico de abusos e uso de arma institucional
Conforme boletim de ocorrência, a rotina de violência teve início quando a vítima ainda era uma criança de 9 anos. O crime escalou para conjunção carnal forçada aos 13 anos e continuou após os 15 anos sob constantes pressões. Para garantir o silêncio da filha ao longo da adolescência, o militar utilizava sua arma de fogo para ameaçá-la.
A mulher relatou ainda que o pai não limitava seus atos a ela. A denunciante declarou ter presenciado o investigado abusar sexualmente de outra criança da família, a sua afilhada (filha de seu irmão) — episódio que, à época, gerou medidas judiciais anteriores. O próprio irmão da denunciante também teria sido vítima de abusos por parte do militar durante a infância.
Proteção familiar e apuração legal
Diante da gravidade e da persistência das ameaças, a filha solicitou medidas protetivas de urgência e o afastamento imediato do coronel reformado do convívio familiar. O caso foi formalmente registrado como estupro de vulnerável na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol e encaminhado às autoridades competentes para investigação aprofundada.
Em nota oficial, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul informou que tomou conhecimento das acusações e que a Corregedoria da corporação, em conjunto com a Justiça comum, conduzirá a apuração rigorosa dos fatos na esfera criminal. A instituição reiterou que não tolera condutas que atentem contra a legislação e a dignidade humana.
Em respeito às diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ao Código Penal, que garantem o sigilo em investigações de crimes contra a dignidade sexual para evitar a identificação ou constrangimento das vítimas, a identidade do suspeito e de seus familiares não será divulgada.

