
Violência letal e não letal continua sendo um problema grave em Mato Grosso do Sul. Dados do Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgados nesta segunda-feira (12) mostram que, embora o Estado tenha registrado queda nos homicídios femininos no último ano, ainda enfrenta índices alarmantes de violência contra idosos, crianças e mulheres negras.
Em relação aos homicídios de mulheres, Mato Grosso do Sul registrou uma queda de 32% na taxa entre 2022 e 2023, um dos recuos mais expressivos do país. Apesar do dado positivo, o Estado ainda enfrenta desigualdades preocupantes: 56,3% das mulheres assassinadas em 2023 eram negras, proporção praticamente igual à representatividade delas na população feminina local (56,7%).
Quando o recorte é a população idosa, o cenário é ainda mais preocupante. Mato Grosso do Sul apresentou uma das maiores taxas de violência interpessoal contra pessoas com 60 anos ou mais: 312,9 notificações por 100 mil habitantes em 2023 — a maior do país segundo o relatório.
Esses dados incluem agressões físicas, psicológicas, sexuais, negligência e tortura, e reforçam a vulnerabilidade dessa faixa etária, sobretudo em ambiente doméstico. As informações são de A Crítica.
A desigualdade racial também se manifesta nos números da violência letal contra mulheres. O Atlas da Violência confirma que, em Mato Grosso do Sul, mulheres negras são proporcionalmente as principais vítimas de homicídios femininos. Embora a proporção seja equilibrada com a distribuição populacional, a recorrência do fenômeno revela uma estrutura de violência enraizada que precisa ser enfrentada com políticas públicas específicas.
Além dos dados sobre violência letal, o relatório aponta que crianças e adolescentes de Mato Grosso do Sul também estão expostos a altos índices de agressões dentro da própria residência. O levantamento do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostra que mais de 60% das violências registradas entre crianças de até 14 anos ocorreram em casa, frequentemente cometidas por familiares.
O povo Guarani Kaiowá, presente em Mato Grosso do Sul, aparece com altos índices de internações hospitalares por agressões e intervenções legais. Segundo o Atlas, em 2023 foram registrados 69 casos — o maior número da série histórica recente.
O Atlas também destaca Mato Grosso do Sul entre os estados com maiores taxas de violência contra pessoas com deficiência, sobretudo aquelas com deficiência intelectual. Mulheres com esse perfil são as principais vítimas, com índice muito superior ao registrado entre os homens, o que revela uma dupla vulnerabilidade: por gênero e por condição de deficiência. Para acompanhar o Altas na íntegra, clique aqui.
Editado por Roberta Cáceres

