
O que começou como uma apuração sobre fraudes em licitações públicas em Mato Grosso do Sul (Operação Sommelier) revelou uma estrutura criminosa muito mais profunda. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou cinco pessoas, incluindo um advogado que atuava como peça-chave para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A denúncia aponta que o profissional utilizava sua carteira da OAB para transitar entre os presídios e o ambiente externo, servindo à facção em duas frentes principais: comunicação ilegal e tráfico de drogas.
A “Sintonia dos Gravatas” e a Comunicação Ilegal
No jargão do crime organizado, o advogado que ultrapassa a barreira da defesa técnica para se tornar um braço operacional é chamado de “gravata”. O investigado integrava o núcleo conhecido como “Sintonia dos Gravatas”.
- Intermediação de “Salves”: Ele levava recados das lideranças presas em unidades de segurança máxima para membros em liberdade.
- Articulação: Repassava ordens disciplinares e estratégicas, garantindo que a facção mantivesse seu controle mesmo com chefes isolados.
- Identidade Oculta: Para evitar o rastreio, o advogado utilizava diversas contas de WhatsApp com nomes falsos e dados forjados.
Tráfico Interestadual: Cocaína em Tanques de Combustível
Para além dos recados, a investigação do Gaeco provou que o advogado participava diretamente do escoamento de drogas. Ele transportava cocaína de Ponta Porã (MS) para os estados do Paraná e Minas Gerais. O entorpecente era escondido em locais de difícil acesso, como:
- Tanques de combustível de veículos.
- Pneus estepes.
A Prisão: Em outubro de 2024, o advogado foi preso em flagrante no interior de São Paulo com 22 quilos de pasta-base de cocaína no tanque do carro. Por este crime, ele já foi condenado pela Justiça paulista a 6 anos e 6 meses de prisão, pena que cumpre atualmente em Araraquara (SP).
Outros Denunciados e Acusações
A denúncia apresentada à 3ª Vara Criminal de Campo Grande envolve outras quatro pessoas:
- A Financeira: Uma mulher (atualmente foragida) responsável pela gestão do dinheiro e venda das drogas.
- Membros da Facção: Três integrantes do PCC, sendo que um já cumpre pena no Complexo da Gameleira e outros dois seguem foragidos.
O Ministério Público pede a condenação do grupo por quatro crimes principais:
- Organização Criminosa
- Tráfico de Drogas (com agravante interestadual)
- Associação para o Tráfico
- Lavagem de Dinheiro

