
O deslocamento vital de aves, mamíferos e espécies marinhas que ignoram fronteiras políticas em busca de sobrevivência é o tema central da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15 CMS), iniciada nesta segunda-feira (23) na capital sul-mato-grossense. Sob o lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, o encontro reúne cerca de 2 mil delegados, cientistas e lideranças indígenas para traçar metas de preservação em um momento crítico para a biodiversidade.
Em seu discurso de abertura, o governador Eduardo Riedel reafirmou que Mato Grosso do Sul não é apenas o anfitrião, mas um provedor de soluções sustentáveis. Com o Pantanal ocupando 70% de seu território no estado, Riedel destacou que o bioma é um dos maiores santuários de espécies migratórias do planeta.
“Estamos falando de um Estado que tem muito a contribuir para as respostas que a COP precisa dar ao planeta, especialmente em relação ao Pantanal. Crescer 5% ou 6% ao ano é relevante, mas crescer assegurando os princípios da biodiversidade e rumo ao carbono neutro é ainda mais significativo”, pontuou o governador.
Alerta Vermelho: 49% das espécies estão em declínio
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, trouxe a urgência dos dados científicos para o plenário. Relatórios oficiais indicam que quase metade das espécies migratórias do mundo apresentam queda populacional, e 24% já enfrentam risco iminente de extinção.
“A vida é travessia, é continuidade, e proteger essas rotas é preservar o futuro do planeta. Precisamos conectar nações e conhecimentos tradicionais para garantir que as espécies continuem seu percurso”, defendeu a ministra.
Novas Áreas de Proteção e Governança de MS
Como marco prático do evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e da Estação Ecológica do Taiamã, além da criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales, em Minas Gerais. Ao todo, a iniciativa blinda mais de 148 mil hectares de ecossistemas estratégicos.
Mato Grosso do Sul também recebeu destaque técnico ao ser oficializado como o único estado brasileiro a cumprir todos os critérios de governança climática, segundo o Anuário Estadual de Políticas Climáticas. Com o recém-criado Fundo Pantanal e a pioneira Lei do Pantanal, o estado consolidou sua estrutura legal para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na economia e no meio ambiente.
O que está em jogo na COP15?
A secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, detalhou que os negociadores debaterão mais de 100 pontos sensíveis, incluindo:
- Novas Espécies: Propostas para incluir 42 animais no tratado, como a coruja-das-neves e o tubarão-martelo.
- Ameaças Humanas: Discussões sobre poluição luminosa e sonora, mineração em águas profundas e fragmentação de habitats.
- Conectividade: Estratégias para identificar e proteger rotas que cruzam diversos países.
A conferência segue em Campo Grande, consolidando a integração entre a ciência produzida nas universidades locais e as decisões políticas que impactarão a fauna selvagem em escala global.

