
Em um pronunciamento incisivo durante o Fórum de Alto Nível CELAC-África neste sábado (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra a política externa dos Estados Unidos e o governo de Donald Trump. O líder brasileiro utilizou o palco internacional para alertar que o mundo vive o maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial e para defender uma articulação soberana entre os países da América Latina e do continente africano.
O ponto central da crítica foi o questionamento às ações unilaterais e invasões de territórios. “Não há nada na Carta da ONU nem na Bíblia que diga que um presidente pode organizar a invasão de um país a outro”, afirmou Lula, em referência direta à postura da atual administração norte-americana.
Aliança Estratégica: Amazônia e Congo
Lula apresentou a aproximação entre a América Latina e a África como uma necessidade geopolítica e econômica. Para o presidente, os dois blocos deixaram de ser apenas fornecedores de matéria-prima e devem focar no valor agregado e na tecnologia.
Os Pilares da Integração Proposta:
- Ativos Ambientais: União entre as bacias da Amazônia e do Congo para liderar a agenda climática global.
- Transição Energética: Exploração conjunta de minerais críticos e produção de energia limpa, combatendo o “neoextrativismo”.
- Tecnologia e IA: Uso de Inteligência Artificial brasileira para soluções em agricultura, saúde e educação nos dois continentes.
Dívida Histórica e Combate à Fome
O presidente brasileiro também pautou seu discurso pela ética e reparação histórica. Ao mencionar os 350 anos de escravidão no Brasil, Lula afirmou que políticas como a Lei de Cotas são passos importantes, mas ainda insuficientes diante da magnitude da dívida histórica com o povo africano.
No campo social, ele destacou o sucesso da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, lançada originalmente no G20 sob presidência brasileira, que já conta com a adesão de mais de 100 nações. A iniciativa foi apresentada como o modelo de diplomacia que o Brasil deseja exportar: menos foco em armas e mais em cooperação prática.
Regulação Digital e Soberania
Encerrando sua participação, Lula estendeu a preocupação com a segurança para o ambiente virtual. Ele defendeu a necessidade de regulação das redes sociais, citando o estatuto digital da criança e do adolescente aprovado no Brasil como um parâmetro de proteção que deve ser discutido globalmente para evitar o avanço do extremismo e da desinformação.
Ao se posicionar como o principal articulador do Sul Global em Bogotá, Lula deixou claro que o Brasil busca alternativas de poder fora do eixo tradicional (EUA-Europa), apostando em uma rede de solidariedade e desenvolvimento entre nações em desenvolvimento para enfrentar a instabilidade do cenário mundial atual.

