
Representantes dos governos do Brasil e dos Estados Unidos devem retomar, na próxima semana, as negociações comerciais sobre a sobretaxa imposta pela Casa Branca a produtos brasileiros. A reabertura do diálogo foi alinhada após uma conversa telefônica de 1h20 entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
A rodada de conversas contará com a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e de diplomatas do Ministério das Relações Exteriores pelo lado brasileiro. Pelo governo norte-americano, as tratativas serão conduzidas pela equipe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Contestação das tarifas e agenda bilateral
Durante o telefonema, avaliado pelo Palácio do Planalto como cordial, Lula defendeu a relevância das trocas bilaterais e contestou os argumentos que motivaram as novas taxas. As justificativas do governo norte-americano envolveram temas como:
- Políticas de desmatamento e regras ambientais
- Propriedade intelectual e acordos comerciais preferenciais
- Combate à corrupção e normas de combate ao trabalho forçado
- Funcionamento do sistema Pix e mercado de etanol
O presidente brasileiro afirmou que as alegações são infundadas e argumentou que o aumento das tarifas traz prejuízos para as economias de ambos os países. Donald Trump concordou com a importância de preservar os fluxos comerciais e deu aval para a retomada técnica dos contatos entre Washington e Brasília.
Segurança e geopolítica internacional
A pauta entre os dois chefes de Estado também incluiu segurança pública e relações internacionais:
- Combate ao crime organizado: Lula ressaltou as iniciativas de asfixia financeira adotadas no Brasil, que resultaram no bloqueio de aproximadamente R$ 17 bilhões de grupos criminosos, propondo cooperação técnica com os EUA.
- Conflitos no exterior: Ambos defenderam saídas diplomáticas negociadas para a guerra entre Rússia e Ucrânia. O mandatário brasileiro sugeriu ainda a realização de uma sessão extraordinária no Conselho de Segurança da ONU para tratar das crises globais.
Com informações de Agência Brasil

