16 de setembro de 2026
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Redes sociais assumem papel central e transformam a estratégia eleitoral em Mato Grosso do Sul

Celular Foto Bruno Rezende 02 730x480

As eleições deste ano em Mato Grosso do Sul consolidam uma transição profunda na forma como os candidatos buscam dialogar com o eleitorado. Especialistas apontam que as redes sociais assumiram um papel central na formação da opinião pública e na definição das estratégias de campanha, impulsionadas pela popularização de plataformas como Instagram, TikTok, Facebook, WhatsApp, YouTube e Telegram.

O ambiente digital oferece aos candidatos comunicação direta com o eleitor, velocidade de circulação, capacidade de segmentação por públicos e baixo custo de produção. A intensificação na produção de vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdos diários por pré-candidatos ao governo, ao Senado e às vagas proporcionais reflete essa realidade em que as plataformas operam de forma contínua — diferentemente do calendário delimitado do horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio.

A mudança atende à evolução do perfil do eleitorado: enquanto os mais jovens consomem informação predominantemente em meio digital, faixas etárias acima dos 40 anos também adotaram aplicativos de mensagens e redes sociais como fonte primordial de debates políticos.

O papel complementar da TV e a força no interior

Apesar do avanço das redes, especialistas alertam que a televisão mantém sua relevância estratégica. Nas disputas majoritárias e nas cidades do interior de Mato Grosso do Sul — onde a audiência da TV aberta permanece alta —, o horário eleitoral gratuito segue essencial para dar visibilidade a nomes menos conhecidos, apresentar propostas de governo estruturadas e alcançar o eleitor que não acompanha política diariamente nas redes.

Além da diferenciação do público, a Justiça Eleitoral enfrenta desafios acrescidos com a aceleração digital, impondo regras rígidas para a identificação clara de materiais que utilizem Inteligência Artificial (IA) e mantendo a proibição do uso de deepfakes. Em relação aos influenciadores digitais, a legislação permite a manifestação espontânea de apoio, mas proíbe a remuneração ou a contratação da categoria para impulsionar conteúdos eleitorais.

Análise: Exposição contínua vs. impacto imediato

Para o cientista político Daniel Miranda, professor e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), os dois meios desempenham funções complementares durante a corrida eleitoral:

“O horário eleitoral na TV e no rádio alcança as pessoas apenas durante o período oficial da campanha. Já as redes sociais estão presentes no cotidiano do eleitor 24 horas por dia, dependendo do tempo que cada pessoa permanece conectada.”

Daniel Miranda, cientista político e professor da UFMS.

Conforme Miranda, a exposição contínua na internet atua de forma acumulativa no eleitor, enquanto o tempo de TV gera um impacto mais imediato devido ao caráter oficial da transmissão.

Na mesma linha, o sociólogo Ricardo Luiz Cruz, também professor da UFMS, observa que os meios não se substituem, mas sim se retroalimentam: “Vivemos hoje sob o domínio da imagem, e a comunicação política é um reflexo dessa realidade, adaptando-se às diferentes plataformas para dialogar com o eleitor.”

Engajamento digital não garante vitória nas urnas

Se por um lado a presença nas redes tornou-se indispensável, por outro ela não assegura isoladamente a conversão em intenção de voto. A avaliação é do diretor do Instituto de Pesquisas Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa.

Fator AnalisadoImpacto Real na Campanha
Presença DigitalAumenta a visibilidade e dá sustentação ao voto, mas dificilmente elege um candidato de forma isolada.
Métricas de AlcanceNúmeros de seguidores ou curtidas devem ser analisados ao lado do sentimento das interações (positivo vs. negativo).
Estratégia CompletaO sucesso exige a integração entre atuação digital, trabalho de campo e articulação política regional.

“A exposição nas redes sociais aumenta o nível de conhecimento do candidato, mas isso não significa, por si só, que ele receberá votos. Muitas vezes, esse alcance fica restrito a um nicho específico ou a uma bolha de determinado grupo social”, explica Aruaque Barbosa, destacando que a eficácia real das redes só será aferida nas urnas.

No cenário em que cerca de 2 milhões de eleitores sul-mato-grossenses irão às urnas, a tendência consolidada é o investimento concomitante: a televisão focará na apresentação institucional e formal dos programas, enquanto as redes sociais ditarão o ritmo diário, o engajamento e a resposta rápida da campanha.

Com informações de Correio do Estado.

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