16 de setembro de 2026
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Motoristas e trabalhadores do Consórcio Guaicurus iniciam greve em Campo Grande

ônibus

Paralisação do transporte coletivo urbano começa nesta segunda-feira (15) em meio à crise financeira e acusação de dívida de R$ 39 milhões do município por subsídios não repassados

O transporte coletivo urbano de Campo Grande entrou em colapso nesta segunda-feira (15) com o início da greve de motoristas e trabalhadores do Consórcio Guaicurus. A paralisação, que vinha sendo anunciada, ameaça interromper grande parte das operações de ônibus e gerar transtornos generalizados para passageiros e o comércio local ao longo da semana.

A categoria afirma que a greve é motivada por atrasos e pagamentos parciais de salários e benefícios, uma situação que compromete financeiramente centenas de famílias que dependem da operação diária do sistema, conforme informou A Crítica.

Acusações de Inadimplência contra o Município

Em nota divulgada nesta manhã, o Consórcio Guaicurus — responsável pelo serviço de transporte — detalhou a grave situação financeira que motivou a paralisação dos trabalhadores.

A empresa confirmou ter pago apenas $50\%$ dos salários referentes a novembro de 2025 (efetuado em 13 de dezembro), justificando que o atraso e a parcialidade do pagamento decorrem diretamente da inadimplência do Poder Público Municipal no repasse de subsídios previstos em contrato.

O consórcio acusa o município de ter deixado de efetuar repasses desde 2022, quando a tarifa técnica foi designada no quarto termo aditivo do contrato de concessão. Segundo a empresa, a soma dos subsídios devidos chega a mais de R$ 39 milhões, valor que teria provocado uma quebra no equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão.

“O pagamento da complementação dos salários de novembro, o adiantamento de dezembro, e a segunda parcela do 13º salário dependem da regularização desses repasses públicos,” diz a nota do Consórcio Guaicurus.

Situação Comprometida

A crise ressalta a tensão entre a tarifa paga pelo usuário e a tarifa de remuneração (ou técnica), que é o valor total necessário para cobrir os custos da operação, incluindo o subsídio pago pelo Poder Público para cobrir o déficit tarifário. A Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos (Agereg) é formalmente responsável por processar e apurar essa diferença.

O Consórcio Guaicurus lamentou a situação dos trabalhadores e afirmou estar tomando “todas as medidas legais cabíveis” para assegurar o direito da população a um serviço essencial.

Até o momento, a Prefeitura de Campo Grande ainda não se manifestou sobre as declarações e acusações feitas pelo Consórcio Guaicurus.

Editado por Roberta Cáceres

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