
A combinação entre tributação reduzida, custo de vida atrativo e facilidades para negócios no mercado digital tem impulsionado a mudança de um número crescente de brasileiros para o Paraguai. Segundo dados do Departamento de Migrações paraguaio, cerca de 17 mil brasileiros obtiveram autorização de residência no país em 2024 — número que saltou para mais de 23 mil em 2025.
Levantamentos do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) referentes a 2023 já indicavam que o país vizinho abrigava a terceira maior comunidade de brasileiros no exterior, totalizando aproximadamente 263 mil pessoas. O perfil dos novos imigrantes inclui empresários, investidores, influenciadores digitais e profissionais em regime de trabalho remoto, atraídos principalmente pela busca por residência fiscal e um ambiente de negócios mais favorável.
Casais que optaram pela mudança relatam redução substancial nas despesas mensais. É o caso de Cristiano e Rejanny Soares, que deixaram Campinas para viver em Assunção. Segundo eles, o custo de vida caiu entre 30% e 40%, com economias expressivas em itens como plano de saúde, seguros e veículos, além do peso favorável da segurança e do cenário político na decisão.
O atrativo do sistema tributário e a Lei de Maquila
O principal motor desse movimento é o modelo fiscal paraguaio, sintetizado pela regra do 10-10-10: alíquotas de 10% para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). Enquanto a carga tributária no Brasil representa cerca de 33% do Produto Interno Bruto (PIB), no Paraguai esse índice gira em torno de 14%.
Outro incentivo para a instalação de empresas é a Lei de Maquila, que autoriza a importação de insumos, a montagem e a posterior exportação de produtos com amplos benefícios fiscais. De acordo com a economista Virginia Laura Fernández, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o tributo sob esse regime pode ser de apenas 1% sobre o valor agregado.
Por outro lado, especialistas alertam para gargalos estruturais. O país enfrenta desafios em áreas como energia, saúde, educação e logística. No Índice de Desempenho Logístico do Banco Mundial, o Paraguai ocupa a 79ª posição, contra o 51º lugar do Brasil.

