
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu agenda oficial em Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira (25/06) para capitanear a entrega de 1.390 títulos de domínio definitivo a famílias de pequenos produtores rurais. O ato centralizado ocorreu no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. Com uma extensão territorial de 50.081 hectares e abrigando 2.837 famílias, a localidade é reconhecida nacionalmente como um dos maiores e mais bem-sucedidos laboratórios de reforma agrária do país.
A concessão do documento encerra décadas de espera e garante segurança jurídica integral aos beneficiários, convertendo a posse provisória em propriedade legal definitiva e abrindo as portas do crédito bancário para o fortalecimento da agricultura familiar.
Impacto Regional e Municípios Beneficiados
Embora o ato tenha sido sediado em Ponta Porã, a política de regularização fundiária desta rodada estendeu-se a assentamentos estratégicos espalhados por diversas microrregiões do Estado.
As comunidades diretamente contempladas pela ação do Governo Federal foram:
- Ponta Porã: Assentamentos Itamarati e Nova Era;
- Bacia do Paraná e Fronteira: Aldeia (Bataguassu) e Ressaca (Bela Vista);
- Pantanal e Cerrado: Taquaral (Corumbá) e Indaiá IV (Aquidauana);
- Cone Sul: Guanabara (Amambai) e núcleos produtivos em Itaquiraí;
- Cinturão Central: Lotes em Sidrolândia, Rio Brilhante, Corguinho e Nova Alvorada do Sul.
Com a titulação em mãos, as cooperativas locais projetam uma atração imediata de investimentos para a infraestrutura dos lotes, além da ampliação do teto de financiamentos via Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). O Assentamento Itamarati destaca-se hoje pela alta diversidade econômica, sustentada pela produção intensiva de grãos, hortifrúti, bacia leiteira e plantas agroindustriais.
Desafios da Reforma Agrária e Exportação de Sementes
O diretor do Movimento dos Trabalhadores Rurais, Cleiton Alexandre Valença, relembrou os marcos históricos da ocupação da antiga Fazenda Itamarati, que teve início após uma marcha histórica que mobilizou mais de 2 mil camponeses rumo à capital, Campo Grande. Apesar de celebrar o avanço, o líder sindical utilizou a tribuna para traçar um panorama dos gargalos remanescentes no estado.
“A entrega representa uma conquista, porém não paramos por aí. Mato Grosso do Sul é o segundo estado com maior contingente de famílias acampadas. São mais de 3 mil famílias esperando terra apenas na região entre Ponta Porã e Antônio João, inseridas em um universo de 19 mil famílias que lutam pela reforma agrária em solo sul-mato-grossense”, pontuou Valença.
O dirigente sindical também apresentou dados sobre a projeção internacional do cooperativismo local, destacando que o assentamento superou a subsistência e hoje atua na exportação de sementes selecionadas para outros estados brasileiros e nações da América Latina e Caribe, como Cuba e Venezuela. Ele defendeu a necessidade de investimentos em tecnologia de beneficiamento para que o estado amplie o fornecimento de insumos biológicos para comunidades quilombolas, indígenas e novos assentados.
Com informações do Palácio do Planalto e Ministério do Desenvolvimento Agrário.

