
Uma investigação conduzida pela Seção de Investigações Gerais da Delegacia Regional de Polícia de Naviraí (SIG/DRP) desarticulou um esquema interestadual de estelionato e extorsão com base em falsos anúncios de programas sexuais. O inquérito policial resultou no indiciamento e na denúncia formal, oferecida pela 3ª Promotoria de Justiça de Naviraí, contra cinco suspeitos de integrarem a quadrilha.
A dinâmica da emboscada e a escalada das ameaças
O caso teve início quando a vítima contratou um suposto atendimento sexual anunciado na internet e iniciou a negociação por meio do WhatsApp:
- Sinal antecipado: Durante a conversa, foi exigido o pagamento prévio de R$ 300 via Pix para a reserva do horário;
- Endereço falso: Ao comparecer ao imóvel indicado, a vítima constatou que o local era uma residência particular comum, cujos moradores desconheciam a mulher das fotos. Segundo relatos dos próprios residentes à polícia, outro homem já havia procurado a mesma suposta acompanhante no endereço anteriormente;
- Ameaça do “comando”: Logo após deixar o local sem o atendimento, o homem passou a receber mensagens de um segundo número telefônico. O interlocutor afirmava integrar uma organização criminosa (“comando”), alegou possuir os dados cadastrais da vítima e passou a exigir transferências adicionais sob ameaça de morte a ele e aos seus familiares;
- Segundo pagamento: Sob coação psicológica, a vítima realizou uma nova transferência no valor de R$ 70. Como as chantagens continuaram, decidiu acionar a Polícia Civil.
Conexão interestadual e quebra do sigilo bancário
Os investigadores da SIG cruzaram os dados telemáticos e financeiros da ocorrência, identificando a abrangência territorial da fraude:
- Mesmo contato, múltiplos estados: O número utilizado para atrair a vítima figurava em classificados adultos em diversas cidades do país, alternando fotografias e nomes de fantasia. Foram identificados anúncios ativos vinculados à mesma linha em Naviraí (MS), Ponta Porã (MS), Cosmópolis (SP) e no estado do Rio de Janeiro;
- Rastreio de contas: O rastreamento das transações bancárias constatou que o valor total de R$ 370 pago pela vítima foi creditado na conta de um dos integrantes do grupo;
- Divisão de tarefas: A apuração técnica mapeou a conexão estrutural entre cinco indivíduos envolvidos na criação de perfis falsos, receptação dos valores e envio das mensagens de coação.
Indiciamento e oferecimento de denúncia
Com o término das investigações, cinco pessoas — com idades de 25, 27, 28 e 31 anos — foram indiciadas pela autoridade policial e denunciadas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pelo crime de extorsão qualificada:
- Enquadramento penal: O artigo 158 do Código Penal estabelece pena de reclusão de quatro a dez anos, acrescida de multa, com aumento de pena de um terço até a metade pelo concurso de duas ou mais pessoas;
- Ação penal: A denúncia protocolada pela 3ª Promotoria de Justiça de Naviraí já foi encaminhada para recebimento pelo Poder Judiciário estadual.
A Polícia Civil alerta que vítimas abordadas em golpes similares não devem ceder a chantagens nem transferir valores adicionais. A orientação é salvar capturas de tela das conversas, registrar os números envolvidos, guardar comprovantes bancários e procurar imediatamente a delegacia mais próxima.
Com informações da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) e MPMS.

