1 de outubro de 2026
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Telescópio Hubble comprova existência de oceano subterrâneo em Ganímedes, a maior lua de Júpiter

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Cientistas que utilizam dados do Telescópio Espacial Hubble confirmaram a existência de um imenso oceano de água líquida salgada sob a crosta congelada de Ganímedes, a maior lua do Sistema Solar e satélite natural de Júpiter. A descoberta soluciona uma dúvida científica aberta há mais de duas décadas pela sonda espacial Galileo — que operou entre 1995 e 2003 — e coloca o satélite entre os alvos prioritários na busca por habitabilidade e potenciais bioassinaturas extraterrestres.

Ganímedes abriga oceano subterrâneo de água salgada. Fonte: Heritage Images / Getty Images

O método: oscilação das auroras e indução magnética

Ganímedes é o único satélite do Sistema Solar a gerar seu próprio campo magnético intrínseco, impulsionado por um núcleo de ferro fundido. Esse dínamo interno interage permanentemente com o poderoso campo magnético de Júpiter, originando duas faixas brilhantes de auroras polares nos hemisférios norte e sul.

A comprovação do reservatório aquoso decorreu do comportamento anômalo dessas emissões:

  • Efeito de maré magnética: À medida que Júpiter gira em seu eixo, as linhas de seu campo magnético oscilam e tensionam as auroras de Ganímedes, que deveriam balançar em uma amplitude angular calculada em cerca de 6 graus;
  • O amortecimento: Observações detalhadas indicaram que as faixas luminosas oscilavam apenas cerca de 2 graus;
  • A blindagem salina: A explicação física para essa contenção é a presença de um oceano com alto teor de sal — e, portanto, condutor de eletricidade. O fluido gera um campo magnético secundário de resposta (indução magnética) que cancela parte da influência de Júpiter, amortecendo o movimento das auroras polares.

Simulações computacionais e ultravioleta do Hubble

Para validar os achados, a equipe astronômica desenvolveu mais de 100 simulações computacionais para testar se estruturas puramente rochosas, fraturas de gelo ou composições minerais secas poderiam provocar o mesmo amortecimento.

Nenhum dos cenários alternativos coincidiu com as medições colhidas em sete horas de observações espectroscópicas ultravioleta realizadas pelo Hubble. O método representou uma quebra de paradigma na astrofísica, viabilizando o escaneamento do interior de corpos planetários remotos sem a necessidade de perfurações diretas ou pousos na superfície.

O mapa dos oceanos ocultos no Sistema Solar

Com o resultado, Ganímedes consolida-se em um grupo seletivo de corpos celestes denominados “mundos oceânicos”, onde a água líquida — solvente elementar para a química biológica — persiste graças ao aquecimento gravitacional de maré:

Corpo CelestePlaneta AnfitriãoTipo de Reservatório SubterrâneoRelevância Astrobiológica
GanímedesJúpiterOceano profundo de água salgada sob crosta espessaMaior lua do sistema; campo magnético protetor próprio
EuropaJúpiterOceano global em contato direto com manto rochosoPlumas de vapor e fontes hidrotermais potenciais
CalistoJúpiterCamada líquida intermediária sob crosta crateradaAmbiente geologicamente estável e antigo
EncéladoSaturnoOceano global com gêiseres no polo sulExpele compostos orgânicos, sais e sílica no espaço

A confirmação impulsiona os objetivos científicos das próximas missões espaciais de exploração dos satélites jovianos, desenhadas para investigar a espessura da crosta de gelo e a composição química desse oceano profundo.

Com informações da NASA

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