
O Governo Brasileiro formalizou, nesta segunda-feira (27), um pedido de consultas aos Estados Unidos no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil contesta a legalidade de duas medidas tarifárias impostas pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) classificou as sobretaxas como injustificadas e incompatíveis com os compromissos multilaterais assumidos pelos EUA no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e com o Entendimento sobre Solução de Controvérsias do organismo internacional.
A fase de consultas constitui a primeira etapa formal de uma disputa no âmbito da OMC, abrindo prazo para negociações diretas entre os governos antes de um eventual pedido para a criação de um painel de julgamento.
Entenda as investigações e sobretaxas aplicadas
O impasse decorre do acúmulo de duas investigações conduzidas pelo governo norte-americano que resultaram em tarifas adicionais sobre as exportações brasileiras:
- Sobretaxa de 25% (Investigação Individual): Decorrente de apuração focada no Brasil sobre temas como comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, leis anticorrupção, propriedade intelectual, mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.
- Sobretaxa de 12,5% (Investigação Global): Fruto de um processo que envolveu 60 economias sobre alegações de restrições a bens produzidos com trabalho forçado, adicionando uma alíquota de 12,5% aos produtos brasileiros.
Somadas, as duas medidas impõem uma tarifa adicional acumulada de 37,5% sobre diversos setores produtivos nacionais.
Impacto de US$ 6,6 bilhões nas exportações
Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida tarifária atinge diretamente US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a cerca de 16,5% de tudo o que o Brasil vende para o mercado norte-americano.
Principais setores afetados:
- Máquinas e equipamentos industriais;
- Madeiras e derivados;
- Gorduras e óleos vegetais e animais;
- Calçados e confecções;
- Móveis.
Com o pedido de consultas, o governo brasileiro busca restabelecer as condições normais de acesso ao mercado e assegurar o cumprimento das regras do comércio internacional.
Com informações de Correio do Estado e Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).

