
Entre coelhos que cabem na palma da mão, lhamas curiosas e minipôneis dóceis, a Fazendinha está de volta. Em meio ao vaivém de negócios, leilões e máquinas agrícolas da Expogrande, a área dedicada às crianças funciona como um refúgio lúdico dentro do Parque de Exposições Laucídio Coelho. A 85ª edição da feira começa nesta quarta-feira (3) e vai até 13 de abril, em Campo Grande. Lá, no meio da poeira e dos estandes, está o coração de um projeto que mistura diversão e aprendizado.
“Vamos falar de soja, milho, pecuária e algodão”, diz Regina Tezza, empresária e organizadora da Fazendinha. O espaço contará com o Cantinho do Agro, uma novidade que mistura painéis ilustrativos, oficinas sensoriais e explicações simples sobre como se planta, colhe, cria e transforma. “A ideia é mostrar tudo isso às crianças, de forma leve e prática.”
Ao redor, uma pequena turma pode montar no minipônei, alimentar coelhos, conhecer minivacas e observar minicabras sem a pressa do mundo adulto. Há também um miniburro, porquinhos-da-índia e, para os mais atentos, uma lhama que adora fotos. Tudo em miniatura — inclusive o fascínio das crianças, que cresce a cada bicho que encontram.
Uma pequena turma pode montar no minipônei
A proposta da Fazendinha, segundo Aurora Real, diretora da Acrissul, é simples: despertar o interesse infantil pelo mundo rural. “Queremos aproximar as crianças das cadeias produtivas, do contato direto com os animais, das máquinas, da Acrissul e de todo o universo do campo”, explica. A ideia não é apenas entreter, mas formar futuros cidadãos que entendam de onde vem a comida do prato.
As minicabras chamam a atenção das crianças
Brincar é também aprender – No Cantinho do Agro, as crianças vão poder sentir o cheiro das folhas, tocar nos grãos, montar quebra-cabeças com temas agrícolas e até entender, em linguagem de criança, o que significa uma lavoura. Os monitores estão treinados para traduzir o jargão do agronegócio em perguntas simples: “O milho vira o quê?”, “A vaca dá só leite?”.
Em 2024, mais de 10 mil crianças passaram pelo espaço. Para 2025, a expectativa é maior. A feira como um todo recebeu 114 mil visitantes e movimentou R$ 577 milhões no ano passado. A meta é, no mínimo, repetir o feito — mas com mais espaço, mais oficinas e, claro, mais bichos para encantar os pequenos.
Os coelhos também encantam as crianças
Uma pausa para respirar — e se encantar – Em meio aos corredores da feira, dominados por tratores reluzentes, apresentações de touros premiados e produtores em negociações animadas, a Fazendinha oferece outra experiência: o tempo da criança. O tempo de observar um coelho dormir no feno, de montar num pônei sem medo, de sujar a bota de barro e voltar para casa com cheiro de mato e memória fresca.
Ali, entre o algodão e os coelhos, há também uma pedagogia invisível: a de que o campo, para além das cifras, é feito de ciclos, de cuidado, de solo fértil — e também de encantamento.

