
Quem anda pelo porto de Corumbá talvez não saiba, mas ali já desembarcaram pianos de cauda e artistas internacionais. Foi naquele cais, entre barrancas e casarios coloridos, que nasceu a cidade em 1778 — e é para lá que o Festival América do Sul está voltando. Em maio, as águas do Rio Paraguai voltam a refletir o som da música e a energia da arte com o retorno de um dos eventos mais importantes do Estado.
O retorno do festival ao porto geral de Corumbá não é só uma mudança de endereço. É um reencontro com a memória da cidade. “Corumbá começou no rio. Sua fundação veio dessas águas”, lembra Márcia Rolon, presidente do Conselho Municipal de Cultura. Ela fala com carinho do casario antigo, das influências platinas que chegaram pelos navios e moldaram a alma da cidade.
O evento acontece entre os dias 15 e 18 de maio, e terá shows de Alcione, Pixote, Xamã e a banda cubana Buena Vista Social Club, além de dezenas de artistas regionais — valorizados com pontuação extra nos editais. Ao todo, R$ 6 milhões estão sendo investidos pelo Governo do Estado e pela prefeitura. O Centro de Convenções do Pantanal, que estava com o sistema de refrigeração parado, será restaurado a tempo da festa.

Wanessa Rodrigues, da Fundação de Cultura: atrair a cidade e o turista. (Foto: Divulgação)
Para Wanessa Rodrigues, presidente da Fundação de Cultura do Pantanal, ocupar novamente o porto é devolver à cidade um pedaço de sua identidade. “Há moradores que nunca pisaram lá. O festival é uma chance de dar novos sentidos para esse espaço histórico”, diz. Um espaço que já foi o centro de tudo, mas que há anos vive o silêncio do abandono.
Com atividades culturais, música e encontros, o festival também coloca luz sobre equipamentos esquecidos, como o Museu de História do Pantanal (Muhpan) e o Memorial do Homem Pantaneiro, ambos no entorno da orla.
A cidade, vista do rio, lembra Veneza — arrisca um empresário do turismo. Mas para quem mora ali, o porto é mais do que uma paisagem bonita: é símbolo de pertencimento. “Esse movimento será transformador”, aposta Márcia Rolon.
Editado por Roberta Cáceres

