
A transformação da base econômica sul-mato-grossense ao longo do último meio século é o eixo central do especial multimídia “MS 49 Anos”, lançado pelo Sistema Fiems em celebração ao aniversário de criação do Estado (11 de outubro de 1977). O estudo cruza trajetórias empresariais pioneiras com dados consolidados do Panorama Industrial, levantamento elaborado pelo Observatório da Indústria da federação.
O indicador de maior relevância estrutural mostra que a indústria de transformação saltou de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual em 2002 para 14,74% em 2023 — uma expansão de quase três vezes. Atualmente, o ecossistema fabril de Mato Grosso do Sul reúne mais de 8,2 mil indústrias, emprega 181 mil trabalhadores com carteira assinada (um quarto de todo o emprego formal do Estado) e respondeu por US$ 7,8 bilhões em exportações em 2025, equivalente a 73% de toda a receita de vendas externas de MS para 153 países.
Concentração exportadora em três macrosetores
Apesar da escala global atingida pela produção local, as exportações industriais exibem forte afunilamento: três cadeias produtivas geram 82% das divisas obtidas no exterior:
- Celulose e Papel: Lidera a pauta com US$ 3,1 bilhões em 2025 (40% da receita industrial exportada);
- Complexo Frigorífico: Soma US$ 2,5 bilhões (32% do total exportado pela indústria);
- Setor Sucroenergético (Bioenergia): Movimentou US$ 806 milhões (10%);
- Óleos vegetais, farelos e pellets: Geraram US$ 561 milhões (7%);
- Demais setores fabris: Respondem conjuntamente pelos 11% restantes.
Radiografia dos 4 pilares industriais de MS
INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO EM MS
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CELULOSE E PAPEL COMPLEXO FRIGORÍFICO BIOENERGIA
• US$ 3,1 bi exportados (40%) • US$ 2,5 bi exportados (32%) • US$ 806 mi exportados (10%)
• 20 mil empregos formais • 40 mil trabalhadores • 22,3 mil trabalhadores
• 13,9% do PIB industrial • 16,0% do PIB industrial • 18,9% do PIB industrial
• Polo: Três Lagoas e Ribas • Polo: Campo Grande / JBS • Polo: Sonora e N. Andradina
1. Celulose: o “Vale” e a atração de R$ 98 bilhões
Iniciado a partir de 2009 em Três Lagoas com a Eldorado Brasil e a então Fibria/Suzano, o polo da Costa Leste sul-mato-grossense reúne hoje 30 empresas, 20 mil operários e 13,9% do PIB do setor. A Suzano opera três complexos fabris no Estado (duas em Três Lagoas e o Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo, entregue em 2024), atingindo 5,8 milhões de toneladas anuais.
O pipeline de expansão lista R$ 98 bilhões em investimentos em celulose de um total de R$ 115 bilhões previstos na indústria até 2030:
- Projeto Sucuriú (Arauco em Inocência): Aporte de US$ 4,6 bilhões para produzir 3,5 milhões de toneladas/ano a partir do fim de 2027;
- Bracell (Bataguassu): Implantação de nova fábrica com aporte previsto de R$ 25 bilhões.
2. Frigoríficos: crescimento de 1.160% na receita externa
Entre 2006 e 2025, o faturamento das carnes sul-mato-grossenses no mercado internacional multiplicou-se por 12,6, saltando de US$ 196,1 milhões para US$ 2,47 bilhões. O segmento abriga 136 empresas e 40 mil empregados. Em 2025, o Estado abateu e processou 1,06 milhão de toneladas de carne bovina (recorde histórico e 10% da produção brasileira), tendo nove plantas habilitadas para a China e a unidade Campo Grande II da JBS posicionada como o maior frigorífico de bovinos da América Latina.
3. Bioenergia: raízes anteriores à criação de MS
Representando a maior fatia do PIB industrial entre os segmentos analisados (18,9% em 2023), as 22 usinas de açúcar, etanol e bioeletricidade empregam 22,3 mil pessoas com remuneração média de R$ 4.239 (massa salarial anual de R$ 1,23 bilhão). O setor mescla casos históricos:
- Usina Sonora: Nascida em 1976 como Destilaria Aquárius (antes da divisão do Estado), deu origem ao município de Sonora e hoje emprega 1.650 trabalhadores diretos — um emprego fabril para cada nove moradores;
- Energética Santa Helena (Nova Andradina): Assumida em 1992 pela família Coutinho com moagem de 218 mil toneladas de cana, processa hoje 2,2 milhões de toneladas e obteve o selo Carbon Control do Imasul com saldo negativo de 109,3 mil toneladas de CO2 equivalente.
4. Mineração: salto na extração em Corumbá
A exploração de minério de ferro e manganês no Maciço do Urucum conta com 144 empresas e 4,6 mil trabalhadores (1,9% do PIB industrial). Sob a gestão da Lhg Mining (Grupo J&F), a produção escalou de 2 milhões para 12 milhões de toneladas anuais, com escoamento pela Hidrovia do Paraguai até Nueva Palmira (Uruguai) e meta declarada de atingir 25 milhões de toneladas ao ano.
Comparativo dos setores industriais no especial Fiems
| Segmento | Empresas Ativas | Postos de Trabalho | Peso no PIB Industrial | Exportação (2025) | Principais Lideranças / Polos |
| Celulose e Papel | 30 | 20.000 | 13,9% | US$ 3,1 bilhões (40%) | Suzano, Eldorado, Arauco, Bracell (Costa Leste) |
| Frigoríficos | 136 | 40.000 | 16,0% | US$ 2,5 bilhões (32%) | JBS, Marfrig, Minerva (Campo Grande e interior) |
| Bioenergia | 22 | 22.300 | 18,9% | US$ 806 milhões (10%) | Usina Sonora, Energética Santa Helena, Atvos |
| Mineração | 144 | 4.600 | 1,9% | Salto de +218% em volume | Lhg Mining / J&F (Corumbá e Ladário) |
Cronologia da industrialização em Mato Grosso do Sul
- 1970: Mecanização e extração de ferro e manganês em escala no Maciço do Urucum (Corumbá);
- 1976 (15 de julho): Entrada em operação da Destilaria Aquárius, polo embrionário da cidade de Sonora;
- 1977 (11 de outubro): Sancionada a Lei Complementar nº 31, criando formalmente o Estado de Mato Grosso do Sul;
- 1992: Reestruturação da Usina Santa Helena em Nova Andradina;
- 2002: Indústria de transformação responde por 5,5% do PIB sul-mato-grossense;
- 2009–2010: Início da implantação das primeiras megaindústrias de celulose em Três Lagoas;
- 2022: J&F assume ativos de mineração em Corumbá (Lhg Mining);
- 2024: Inauguração da fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo (Projeto Cerrado);
- 2025: Picos históricos com 1,06 mi t de carne bovina e US$ 7,8 bi em exportações fabris;
- 2027 (Previsão): Início de operações do Projeto Sucuriú da Arauco em Inocência.
Com informações do Observatório da Indústria do Sistema Fiems e cobertura do jornal A Crítica.

